sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Avenida Central



Resenha de texto da autora Armelle Enders (brasilianista).



A autora Armelle Enders é historiadora titular da cadeira de história do século XIX na Universidade Paris 4, em Sorbonne, e conferencista de História do Brasil na Escola Prática de Altos Estudos de Paris. Trata-se de uma brasilianista, pois especialista em História do Brasil e, especialmente, do Rio de Janeiro.

Nesta obra, a autora cumpre o objetivo de esclarecer o contexto urbano da capital federal do Brasil, na época o Rio de Janeiro, durante a primeira república. Apontando as reformas empreendidas para mostrar ao mundo uma capital moderna, segundo os padrões europeus, e as questões decorrentes deste processo. Aborda a dicotomia entre o atendimento aos anseios da população das classes mais altas, atendidos pelas reformas, e o abandono dos populares que sofreram grandes percalços por conta das obras de revitalização da capital. E, por consequência, o clima de tensão que vai se manifestar em revoltas como a chibata e mais à frente a revolta da vacina.

O presidente Rodrigues Alves nomeou Pereira Passos como prefeito para cumprir o objetivo de promover a chamada “ação civilizatória” na capital, que seria a grande reforma que se daria em dois aspectos: as grandes obras urbanísticas e a reforma no âmbito comportamental.

Tendo Paris como inspiração, promoveu o alargamento das ruas, construção de praças ajardinadas, canalização dos rios, abriu a avenida central e promoveu a derrubada do Morro do Castelo, que os sanitaristas indicavam como motivo da falta de circulação do ar na cidade e consequente motivo para infestação de epidemias. Ainda sob pretexto sanitário e urbanístico, removeu vários sobrados que serviam de moradias coletivas, desalojando e empurrando para a periferia milhares de pessoas.

No que diz respeito ao comportamento, serviu para tentar tirar do centro da cidade as práticas mais populares, como venda de animais abatidos nas ruas, conduzir bois pelas vias publicas, proibição de ambulantes, combate ao candomblé e outras práticas religiosas de matriz africana e manifestações carnavalescas como o entrudo.

Com as reformas houve um deslocamento da vida cultural da Rua do Ouvidor para a Avenida Central, onde empresários pretendiam construir a Broadway carioca. Grandes exposições nacionais e internacionais foram realizadas para mostrar e atrair turistas para a cidade. E aos poucos ocorre a mistura de culturas na cidade, quando as tias baianas começam a ocupar espaços nas calçadas das principais ruas da cidade. A culinária e a música negra irão ganhar força na cidade.

No campo esportivo, de início se instalou na cidade o Jockey Club  Fluminense, inspirado no de Paris. Logo surgiram os clubes de remo com apelo popular. Contudo, os competidores eram oriundos das classes abastadas e restava aos populares a posição na torcida. Uma grande revolução esportiva ocorre quando Oscar Cox introduz o futebol na cidade. Surgem clubes ligados à elite, como o Fluminense, e na periferia coube ao Bangu difundir o futebol nos meios proletários. 

Por conta das tensões sociais, começam a aflorar revoltas, como a que foi liderada pelo marinheiro  João Cândido contra a forma com que os marinheiros, de origem humilde e na maioria negros e mestiços, eram tratados pelos superiores.

O artigo é muito interessante e demonstra as contradições de uma sociedade que, no início do século XX, apresentava aspirações europeias e teve dificuldade de enxergar a riqueza que a diversidade étnica poderia lhe conferir. Somente o contato dos diversos elementos durante o tempo, possibilitando a circularidade cultural, vai promover as sínteses que levarão ao Rio de Janeiro construir sua identidade peculiar e consolidar a posição de precursora das tendências nacionais.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A Oração e o Tempo no Período Medieval.





Uma ocorrência comum para copistas, paleógrafos e pesquisadores que trabalham com antigas fontes primárias escritas é se deparar com receituários químicos, de remédios, comida e outros tipos de receitas onde aparecia a orientação de rezar durante o preparo.

Por exemplo, numa receita para se fabricar tinta de escrever pode-se encontrar algo assim: pese tantas gramas do pigmento Y, junte mais tantas do pigmento X, misture-os em água salgada, leve ao fogo para a fervura, REZAR 3 AVE-MARIAS E 3 PAI-NOSSOS, retirar do fogo, esperar esfriar.

Um pesquisador iniciante poderá pensar sobre a mentalidade excessivamente religiosa do cidadão medieval. Que talvez o indivíduo acreditasse que não daria certo o procedimento alquímico se não houvesse a interferência da transcendência divina.

Contudo, a explicação está na questão da contagem de tempo. Nas épocas que não era comum que se tivesse relógios em casa. Não existia nosso relógio de parede e nem de pulso. Muitas vezes o único relógio da localidade ficava na torre da igreja. Então, utilizava-se a referência das orações como forma de contar o tempo dos procedimentos.

Ao revés da receita dizer para ferver por 15 minutos, orientava tantas rezas no sentido de cumprir o tempo necessário para o cozimento.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O que é Paleografia ?


A paleografia consiste numa técnica que permite ao especialista realizar a transcrição de textos antigos. Sejam textos dos mais variados recortes: antiguidade, idade média, moderna e nas diversas línguas. Podendo, por exemplo, se especializar nos documentos luso-brasileiros escritos em diversos séculos desde a colonização.

De certa forma, a paleografia é uma atividade derivada do trabalho dos monges copistas da idade média. Estes faziam o trabalho de transcrição das obras encontradas nas bibliotecas dos mosteiros, pois a dificuldade do armazenamento, naquela época, levava a que se perdesse rapidamente os volumes escritos.

Não é por mero acaso que ainda hoje a principal escola de paleografia se encontra no Vaticano. 

O paleógrafo terá que se aprimorar no desenho peculiar das letras em cada época. Como, também, a ortografia, abreviaturas e palavras correntes de cada temporalidade.

Além do texto em si, deverá cuidar, ainda, da investigação das diversas superfícies em que a escrita se realizou, como papiros, pergaminhos, tábuas enceradas e os diversos tipos de papeis. Como, também, os objetos que eram usados para realizar a escrita, desde instrumentos pontiagudos para gravar a pedra ou a cera até a caneta esferográfica moderna. Outro ponto a ser estudado são os diversos tipos de tintas e pigmentos utilizados desde a antiguidade até a tintura atual.

Veja se você tem olhar de paleógrafo e consegue transcrever o texto da abertura deste post.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Evolução Sanitária da Cidade do Rio de Janeiro






  • Rio de Janeiro colonial e imperial : marcado por epidemias associadas ao pouco cuidado com os dejetos. A cidade inicia a construção de uma rede de esgoto sanitário a partir de 1862.

  • República: o discurso higienista era acionado, principalmente, quando se desejava expulsar camadas populares das áreas a serem valorizadas pela especulação privada ou administração pública.

  •  Mudanças de Paradigma: a partir de 1930 a área de saúde passou a privilegiar as ações que priorizassem a previdência, a proteção e o seguro social, substituindo as ações sobre o meio pelas ações sobre o indivíduo.

  • Ações de Estado (pós-1930): através da Inspetoria de Águas e Esgotos (IAE), investiu pesadamente na expansão e adensamento da zona sul. Os investimentos nos subúrbios priorizaram os interesses do setor produtivo (indústrias).

  • Política Nacional de Saneamento (1967):  Visava superar a situação crítica em que se encontrava o saneamento, agora pensado como infraestrutura urbana e produtiva.

  • Anos 1980: apesar do aumento global no atendimento, verificaram-se grandes distorções  em termos de cobertura, favorecendo-se regiões industriais e de alto poder aquisitivo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Dia 20/08/2015: A Nova Corrente da Legalidade.






Este se assemelha a mais um daqueles momentos históricos em que o povo precisa se posicionar a favor de um país mais justo e democrático. Após ficar cristalizado um discurso conservador, nas passeatas do domingo 16, que mistura fascismo com ódio de classe e outros ingredientes pouco aconselháveis a uma sociedade que postula uma posição de destaque dentre as nações.

A questão da luta contra a corrupção deve ser algo constante e que não se restringe a um único partido ou administração. A corrupção, como fator humano, estará presente sempre, necessitando eterna vigilância e desenvolvimento de metodologias para seu combate.

Desta forma, acreditamos que vivemos época interessante no combate à corrupção. Nunca vivemos em nenhum  outro momento histórico tanto interesse em se combater os desvios. 

Ainda assim, acredito que se houve corrupção neste governo, não foi diferente no anteriores. Não se pode afirmar se houve e em qual grau ocorreu corrupção pois não aconteceu apuração adequada. Não houve vontade das instituições em apurar como há agora. 

Mas um simples raciocínio aponta para a conclusão que, se comprovado casos de corrupção nos governos, não é possível afirmar que o atual teve grau maior de corrupção.

Pois vejamos que desde a redemocratização do país não houve exemplos de grandes obras de infraestrutura. A maior obra ainda tinha sido a realizada pelos governos militares, que foi a usina de Itaipu. Só no governo de Lula e Dilma se investe em grandes obras de infraestrutura, como a usina de Belo Monte (uma nova Itaipu), outras usinas de médio porte, o grandioso projeto da calha do São Francisco, dentre outros. Ainda devemos acrescentar que nestes atuais governos tivemos o maior investimento na área social, com distribuição de renda através das bolsas que combatem a fome, programas de financiamento de estudos e da casa própria. E tudo isto sem que em momento algum se socorresse de vultosos empréstimos junto ao FMI. Os governos dos dois últimos presidentes não recorreram uma única vez ao endividamento internacional. Por outro lado, ainda efetuou o pagamento de parte importante da dívida externa perante o Fundo Monetário Internacional.

Assim, se há agora ou se houve corrupção no passado só a investigação dos órgãos competentes pode afirmar. Contudo, a memória vivida nestes períodos sugere que se houve a corrupção não tem como ter sido maior nos governos atuais.

Além do que, como li em outro artigo, aquele que votou em Aécio e sai às ruas se dizendo paladino contra a corrupção demonstra um discurso contraditório. Pois o candidato Aécio também, ao tempo do pleito eleitoral, era acusado de desvios de verbas em Minas Gerais, como no caso da construção de aeroporto nas terras do titio.

Por isso, como fez Leonel Brizola para garantir a posse de João Goulart, através da cadeia da legalidade, temos agora a nossa obrigação de garantir a manutenção da legalidade!

Dia 20/08 é a nossa vez de articular a marcha da legalidade !!!




segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A Revolução do Barbante (Pré-História)




O discurso que reconstrói o passado está ligado às condições do momento em que é proferido. Durante o período em que o sexo masculino dominou o campo da arqueologia e da história, o discurso privilegiava as narrativas que colocavam aquele sexo como protagonista dos fatos, com o imaginário de grandes caçadas e combates entre tribos.

Atualmente, através da luta pela igualdade de gêneros, mais e mais mulheres vêm dividindo os espaços acadêmicos com os homens e, desta forma, novas narrativas, sob nova perspectiva, vão surgindo. Uma das mais interessantes trata-se da "revolução do barbante".

Surge o entendimento que o trabalho de fiação e invenção do barbante teve importância sine qua non na conquista do espaço natural pelos grupamentos dos primeiros humanos. Através da analogia com os grupos indígenas atuais, pode-se concluir que este trabalho era precipuamente dirigido e efetuado pelas mulheres.

E a invenção da criação do barbante promoveu uma verdadeira revolução tecnológica naquelas comunidades. A possibilidade de se amarrar os objetos deu nova qualidade aos apetrechos utilizados. As cabanas tornaram-se mais seguras. A tecelagem dos fios constituindo tecidos e roupas trariam maior resistências às intempéries. A confecção de cestas e redes foram decisivas para a melhoria da alimentação dos grupamentos humanos.

A visão dos caçadores lutando contra grandes mamutes vai sendo contestada, como se vê no filme 10.000 A.C. Possivelmente, os caçadores pré-históricos caçavam, vez por outra, animais de grande porte. Contudo, nada indica que essa tenha sido a regra alimentar do período. Imaginar um homem lutando apenas com uma lança contra um touro já é algo complicado, imagine mesmo um grupo deles lutando contra um grande mamute. Desta forma, provavelmente os caçadores quando abatiam um mamute deveria ser algum já muito velho e doente.

A concepção da rede foi fundamental para a dieta proteica naquele recorte temporal. Estendia-se uma armadilha de redes por um local estratégico. Então, os caçadores se colocavam em posição oposta à da armadilha e vinham caminhando realizando grande algazarra e barulho, assustando animais de pequeno porte (coelhos e outros roedores) que fugiam em direção às redes. Assim, estes constituíam a base do cardápio.

Estas e outras narrativas são encontradas na obra: O Sexo Invisível: o verdadeiro papel da mulher na pré-história. Autores: J.M. Adovasio,  Olga Soffer e Jake Page.

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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Rigidez metodológica ou anarquia epistemológica ?


Todo aluno da graduação já ouviu da importância de se seguir atentamente a metodologia científica para que se legitime e valide uma pesquisa no âmbito acadêmico. Da mesma forma, no mestrado e doutorado o pesquisador tem a fiscalização constante do seu orientador no que tange às metodologias apontadas no projeto de pesquisa e na realização da dissertação ou tese.

Contudo, sempre nos perguntamos até em que ponto a metodologia amarra a livre criação do pesquisador e, por isto, quais os limites de sua total, ou parcial, observância.

Para Paul Karl Feyerabend, especialista em filosofia da ciência, os preceitos metodológicos não deveriam atuar de forma tão imperativa sobre a pesquisa. 

Em sua obra clássica - Contra o método (1970) - Feyerabend condena a assertiva de que as metodologias da ciência sejam formadas por princípios imutáveis e absolutamente vinculantes do processo de pesquisa.Tal proposta filosófica ficou conhecida como "epistemologia anárquica". Entende que o pesquisador necessita de uma margem de liberdade de ação para explorar novos caminhos e encontrar novos paradigmas.

O pesquisador que segue estritamente o preceito metodológico de um paradigma estabelecido irá produzir mais obras idênticas, quanto ao processo, às muitas que já existem dentro daquele modelo. Assim, pelo estrito cumprimento metodológico nunca irá criar uma nova alternativa ao método, um novo paradigma.

Brincando com esta visão de não seguir estritamente as regras acadêmicas, Feyerabend apresentava seu horóscopo no lugar do curriculum vitae.

Exemplificando a tese de Feyerabend, podemos citar a pesquisa sobre o método psicanalítico empreendida por Sigmund Freud, que utilizou de recursos condenados pelos acadêmicos de sua época como a hipnose. Sem se afastar dos estritos cânones metodológicos de sua época, não teria formulado a existência do inconsciente e sequer de uma ciência da interpretação dos sonhos (que parecia tema mais bíblico, com josé do Egito, que científico).

Da mesma forma, podemos citar Carlo Ginzburg que, contrariando os padrões de pesquisa existentes, resolveu pesquisar e escrever sobre personagens que não possuíam perfis de potenciais biografáveis. Com isto, criou uma nova perspectiva historiográfica: a micro-história.

Concluindo, vale lembrar que se o produto de uma pesquisa que ultrapassou os modelos existentes lograr êxito, a ciência resolve o problema inserindo aquele procedimento dentro da metodologia como uma nova corrente metodológica.

A Lava Jato como fator de desestabilização tecnológica.


Os setores governistas têm falado que o processo da lava jato vem atuando no sentido de criar uma desestabilização política no país para beneficiar o campo da oposição que perdeu eleições seguidamente. Como que se determinadas instituições atuem mais como partidos políticos do que com a isenção que deveria haver. Uma suposta prova deste discurso seria o fato da artilharia da polícia e judiciário estar prioritariamente apontada na direção de um grupo específico.

Tenho me preocupado com um outro viés destas operações de investigações e delações premiadas, que é o uso desta aparelhagem de investigação e denúncias como fator de desestabilização da consolidação dos campos de produção e pesquisa tecnológica nacional.

O processo contra as empresas "X", de Eike Batista, e, agora, a artilharia da lava-jato contra a Odebrecht me alertou no sentido de que dois investidores de áreas estratégicas do capital internacional passam por um pente fino em suas operações. O empresário Eike Batista, depois que resolveu entrar no ramo da exploração de petróleo, conheceu o inferno de Dante. Neste mesmo sentido, a Odebrecht vem investindo pesado na área tecnológica, tendo no seu grupo uma empresa de pesquisa em tecnologia militar.

Petróleo e armas compõem o núcleo dos interesses tecnológicos do grande capital internacional.

Agora, tomamos ciência da prisão do Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva (foto acima), considerado pai do programa nuclear brasileiro.

Com isto, o padrão de ações que atingem áreas estratégicas de desenvolvimento tecnológico é reforçado. Agora temos: petróleo, armamento e energia nuclear.

O Almirante Othon recebeu o título de pesquisador emérito do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN). Sob a sua direção o Brasil concebeu a mais moderna técnica de enriquecimento de urânio existente no mundo. Inclusive, sofremos constantemente investidas americanas que querem, a pretexto de vistoria contra produção de armas de destruição em massa, realizar inspeções em nossas instalações nucleares que teriam como consequência a quebra do nosso segredo tecnológico. 

Essa "teoria da conspiração" acaba tornando-se uma real pulga atrás da orelha quando não conseguimos ver o mesmo apetite denuncista e investigativo e condenatório ocorrer contra grandes multinacionais que atuam no país e nem contra o cartel da grande mídia, por exemplo.

Tememos que ao final de todas essas denúncias, investigações e prisões o Brasil se torne um país 'limpo", mas que tenha voltado tecnologicamente à idade da pedra.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Lévi-Strauss e a antropologia estruturalista





Lévy-Strauss foi um antropólogo francês cuja obra fundou as bases da antropologia moderna e influenciou várias gerações de investigadores. Faleceu aos 100 anos de idade. Foi um dos intelectuais mais relevantes do século XX, tendo destaque na antropologia e considerado pai do enfoque estruturalista nas ciências sociais. Influenciou, também, a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura.

Nasceu em Bruxelas em 28 de novembro de 1908, filho de pai judeu agnóstico que o educou em meio às artes, ingressou nos cursos de direito e filosofia na Universidade de Sorbonne, em Paris.

Autor de "Mitológicas" e "Tristes Trópicos", lecionou antropologia até receber o convite de Marcel Mauss, pai da etnologia francesa, para ingressar no recém criado departamento de etnografia. Este acontecimento despertou em Lévi-Strauss a curiosidade por uma matéria na qual despontaria com uma brilhante carreira.

Esta nova vocação o levou a aceitar o convite, entre 1035 e 1939, para ser professor visitante na Universidade de São Paulo (USP), posto que lhe possibilitou realizar trabalhos de campo nos estados de Mato Grosso e da Amazônia.

Realizou trabalhos de campo entre as tribos indígenas dos Bororo, Nambikwara e tupis-kawahib. Estas experiências orientaram sua carreira de forma definitiva como profissional da antropologia, campo onde seu trabalho é considerado válido ainda hoje e influencia a maioria dos profissionais atuais.

Após ter regressado à França, em 1942 mudou-se para os Estados Unidos onde foi professor visitante na "New School for Social Research de Nova York, antes de uma breve passagem pela embaixada francesa em Washington, tendo sido adido cultural.

Novamente em Paris, foi nomeado Diretor do Museu do Homem e, posteriormente, diretor de estudos na "Ècole Pratique des Hautes Études", entre 1950 e 1974, juntamente com o magistério de antropologia social no "Collège de France", onde dirigiu o Laboratório de Antropologia Social.

Sua obra foi influenciada por nomes como Émile Durkheim, de Mauss, Karl Marx, Sigmund Freud, Ferdinand Saussure, Roman Jakobson, Vladmir Propp, dentre outros. Foi, também, um apaixonado pela música, geologia, botânica e astronomia.

Os pontos centrais da obra de Lévi-Strauss podem ser resumidos em 3 grandes recortes temáticos: a teoria da aliança, os processos mentais do conhecimento humano e a estrutura dos mitos.

Na teoria da aliança, defende que o parentesco tem maior relação com a aliança entre duas famílias pelo matrimônio respectivo entre seus membros do que com a ascendência de um antepassado comum.

Entende, também, que não existe uma diferença significativa entre o pensamento primitivo e o civilizado.

Propôs que a mente humana organiza o conhecimento em pares binários e opostos que, por sua vez, se organizam pela lógica. Tanto o conhecimento mitológico como o científico estão estruturados por pares de opostos relacionados logicamente.

Fonte: Diário El Mundo - Ciência.






quinta-feira, 25 de junho de 2015

Cantoras russas - Pelageya & Elmira kalimulina - interpretam a música canção do mar, em português.






Atualmente a música brasileira anda em crise, com temas repetitivos e pouco bom gosto.

Nossa música que por muitos anos provou ao mundo que podia se cantar com graça em português, agora dá vez para que uma nova geração de artistas portugueses retomem a missão de levar a língua portuguesa através da arte. Artistas como Antonio Zambujo, Teresa Salgueiro, Deolinda, entre outros, têm nos brindado com uma nova música portuguesa de muito bom gosto.

E em se falando de música portuguesa, duas cantoras russas vem apresentando uma bela interpretação de "canção do mar", linda música tradicionalmente interpretada pela lusitana Dulce Pontes.

 


domingo, 31 de maio de 2015

A Venezuela de Hugo Chávez





Os professores Karl Schurster, doutor em história pela UFRJ e professor na UEPE, e Rafael Araujo, também doutor em história pela UFRJ e professor do Centro Universitário La Salle e da UFRRJ, lançaram pela editora Autografia / Edupe a obra " A Era Chávez e a Venezuela no Tempo Presente". Trata-se de uma coletânia de artigos escritos por pesquisadores  brasileiros sobre a história do tempo presente na Venezuela. Visa debater objetivamente os cenários político, social, econômico, militar e das relações internacionais. Além da influência do governo Chávez nos demais países latino-americanos.

O mais importante é o condão acadêmico do trabalho, fugindo dos discursos apaixonados contra e a favor. Sendo obra de grande valia para quem deseja conhecimento sobre este tema que é um dos que vem mobilizando as discussões políticas atuais.

No primeiro capítulo, os citados mestres fazem uma radiografia da conjuntura Venezuelana antes e depois de Chávez. Evidencia que o grande apoio popular que o "comandante" amealhou não se deve a seu carisma e ao discurso populista, mas a uma percepção, por parte da maioria do povo, numa melhoria das condições de vida. Assim, desconstruindo o discurso de ingenuidade da população que segue qualquer liderança carismática sem ter uma contrapartida real.

No governo Caldera, entre 1994 e 1999, a crise social e econômica atingiu seu ápice, quando a pobreza bateu o índice de 75,5% da população, sendo que 40% viviam na extrema pobreza. Com a eleição de Chávez o executivo torna-se centralizador, porém toma várias medidas para avançar no atendimento às questões da desigualdade social. Além de estender poder à participação popular através dos conselhos comunitários e das missiones sociales.

Realizou a nacionalização de diversos setores, sendo o petrolífero aquele que mobilizou maior oposição contra seu governo.

No combate à pobreza foi expressiva a melhoria do poder de compra do salário mínimo e a criação de um supermercado estatal - MERCAL - que foi instalado nas comunidades carentes com preços subsidiados pelo governo, melhorando significativamente o IDH venezuelano.

Esses são apenas alguns dos motivos, descritos na obra, através dos quais o chavismo conquistou e consolidou o apoio da população.

Os artigos elencados na obra:

- Introdução;
- A Venezuela entre 1989 e 2013: crises, rupturas e continuidades
- Instabilidade política e democracia na Venezuela - De Carlos Andrés Pérez a hugo Chávez
- Movimentos Sociais e Bolivarianismo
- A Revolução bolivariana e a Venezuela de Hugo Chávez: história e interpretações
- Passos para a construçãon de uma nova democracia no contexto venezuelano
- Socialismo del Siglo XXI ou capitalismo de las calles? Qual o real significado da "era Chávez" na Venezuela?
- História, mito e política na américa Latina
- A Venezuela durante os governos de hugo Chávez: ampliação da democracia ou autoritarismo de Estado?
- ALBA-TCP y la política exterior da la República Bolivariana de Venezuela.
- As dinâmicas de segurança venezuelana
- El mercado petrolero mundial y la consolidación del processo de la integración energética de américa Latina y el Caribe
- Venezuela bolivariana: disputas pelo controle do petróleo em perspectiva
- a política externa da Venezuela entre Punto Fijo e Hugo Chávez: rupturas e continuidades
- a centralidade do petróleo e da PDVSA na história recente da Venezuela
 


sábado, 25 de abril de 2015

O Estudante que viajou no tempo para plagiar o seu próprio texto.





Trata-se da fantástica história do estudante que quebrou as regras da física para conseguir o feito de plagiar um texto de sua própria autoria.

Esta é uma das muitas histórias insólitas que acontecem na Belíndia, en la Universidad Bolívar de Sá !

Naquela avaliação a professora não deu prova, mas um trabalho valendo pela prova. O trabalho consistia em resenhar dois textos. O aluno leu os textos, redigiu as resenhas solicitadas, imprimiu e mandou encadernar. Entregou o trabalho no dia e hora da prova, assinou a pauta e foi para casa. Ao chegar a casa, mais tarde, postou uma das resenhas em um blog e, no dia seguinte, postou o outro texto no mesmo blog, onde sempre arquiva todos os trabalhos que produz para o curso.

É importante salientar que o blog tinha um nome genérico, pois o estudante abriu o blog sem caráter de promoção pessoal, não havendo uma referência direta ao autor do blog na página.

Passadas algumas semanas a professora entregou os trabalhos com as notas. O trabalho deste aluno veio com a nota 0 (zero). A justificativa da brilhante professora, dublê de sherlock, foi que o aluno copiou os textos da internet e anotou nas páginas do trabalho o link do blog.

O aluno argumentou que, embora não tivesse o costume de assinar a autoria dos textos que postava no blog, era fácil constatar que era ele quem realizava as postagens, afinal ele era o administrador do blog, em qualquer computador com acesso À internet demonstraria que possuía a senha para o login, podendo postar qualquer coisa naquela página. E ainda que o objeto da suspeita era totalmente fora de propósito, pois era fisicamente impossível de ser realizado, uma vez que os textos foram publicados em horários e dias posteriores ao da entrega do trabalho. Bastava a professora olhar a data das postagens !!!

Mas a brilhante professora permaneceu irredutível ! É zero porque está na internet, está num blog, se está num blog e está na internet foi copiado !

Tudo bem que internet não escreve texto. Blog também não escreve texto. Pessoas escrevem textos. Então, ninguém copia nada da internet. Alguém copia o que outra pessoa escreveu. A questão, então, seria verificar se foi o aluno ou não quem postou o texto. Pois as pessoas podem fazer o que bem entender com os seus textos. Rasga-los, colar na porta do banheiro, rodar várias cópias e distribuir pela rua, vender em bares para ajuda de custo e, até, vejam os senhores, publicá-los em alguma página da internet. Inclusive, devemos considerar que a internet é o ambiente mais democrático onde todos podem publicar. Não precisa ter título de mestre, doutor ou Phd para publicar algo na internet.

Mas a professora permaneceu irredutível .

Ora, para a hipótese da professora estar certa, o aluno teria que ter entrado na máquina do tempo ( seria um delorean ? ), avançado no futuro para o dia posterior À prova, copiado o texto da internet, voltar para a máquina do tempo e retornar à sua linha do tempo original, para então, ter o objeto do crime nas mãos. Isto, sem contar, que o aluno teria que prever que um dia após a prova alguém iria postar exatamente aquele texto na internet.

A hipótese proposta pelo estudante era muito mais simplória. Ele entregou a prova e depois publicou os textos no blog. Para comprovar bastava que o levassem a um terminal com acesso à internet para mostrar que tinha a senha para o login de administrador na página do blog.

Nada demoveu a professora em sua teoria que prejudicaria o aluno.

Mas isso aconteceu lá na Belíndia.
Malditos belindianos.

Se aquela professora conhecesse um mínimo de história da metodologia científica poderia ter encaminhado a questão de outra forma. No século XIV viveu um frade franciscano, Guilherme de Ockham, que se dedicava à observação científica. Ele elaborou um princípio de metodologia científica que é usado até hoje pelos pesquisadores. Sempre que para explicar um evento houver duas hipóteses, uma mais complexa, que depende de muitas variáveis, e outra mais simples, em regra, 99,9% das vezes a correta será a hipótese mais simples. Este princípio ficou conhecido como "navalha de ockham".

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sábado, 11 de abril de 2015

O Titanic como metáfora das crises econômicas




O historiador Edgar de Decca, da Universidade de Campinas, construiu um interessante diálogo entre o filme Titanic e a sociedade imperialista europeia do período moderno. Uma comparação, que no viés econômico, ainda pode ser estendida para os dias atuais. Vejamos o trecho em que o citado professor realiza este paralelo no artigo "O colonialismo como a glória do império", que integra o livro "O Século XX: tempo das certezas", organizado por Daniel Aarãon Reis Filho:

"O navio representa um microcosmo da sociedade da Europa moderna do período imperialista, com seu andar superior repleto de personagens típicos da burguesia abastada e ociosa, da agonizante aristocracia e da classe média ascendente, todos eles turistas em busca de aventuras e fantasias no além-mar. Nos andares inferiores, amontoam-se trabalhadores que emigram para países distantes da Europa em busca de sonhos de felicidade. Não deixa de ser significativo que todos estão no mesmo barco, que, entretanto, ao afundar, privilegia o salvamento dos mais abastados e deixa os trabalhadores jogados à própria sorte. Uma semelhança muito grande com o que acontecia na vida cotidiana das grandes cidades européias e que também encontraria continuidade na aventura imperialista. Todos parecem ter o seu sonho satisfeito  dentro do navio: os burgueses, porque suas aventuras e fantasias iriam se transformar em lucros capitalistas fabulosos na expansão e exploração econômica imperialista; a aristocracia decadente, por acreditar no sonho imperial cavalheiresco da expansão e da dominação europeia no mundo; a classe média ascendente, porque esperava alcançar os cargos burocráticos e militares da administração colonial; e os trabalhadores por sonharem com terras distantes, onde iriam começar uma nova vida diferente das agruras das grandes cidades industriais e da pobreza do trabalho rural assalariado. O elemento emblemático do filme Titanic é esse navio, símbolo da vitória da tecnologia e da ciência, que se acreditava indestrutível e impossível de submergir, como se a confiança na ciência e na técnica fosse de tal grandeza, a ponto de cegar os homens para a possibilidade de um desastre. Todos aqueles que participavam da viagem, de uma maneira ou de outra, acreditaram nessa fantasia criada pela tecnologia industrial e apenas perceberam o tamanho do pesadelo quando acordaram tarde demais. Se pudéssemos resumir a experiência imperialista numa única imagem, o Titanic seria sem dúvida uma das mais completas. Evidentemente, existiram outras, mas que talvez não tenham alcançado a dimensão real desse navio, que de sonho maravilhoso transformou-se num enorme pesadelo."

O navio luxuoso que ante ao desastre privilegiava salvar os ricos deixando os pobres à própria sorte ainda é uma perfeita metáfora para as crises econômicas do século XXI.

É exatamente este o cenário que vimos na Europa atual, quando trabalhadores gregos e espanhóis saem Às ruas revoltados contra as famosas medidas de "austeridade" que são receitadas pelos grandes fundos econômicos mundiais, cuja solução prevê a manutenção dos altos lucros e concentração de renda que beneficia a minoria dona do grande capital em detrimento dos trabalhadores.

é o mesmo receituário que vemos no Brasil, quando os efeitos da crise mundial se tornam mais visíveis, com estagnação econômica e aumento da inflação, são realizados os "ajustes" que de certa forma sempre cortam direitos da grande população. E não pensem que os opositores ao atual governo, que de suas varandas gourmets batem em panelas de R$1.500,00 desejam algo diferente. Ao contrário, querem aprofundar as medidas que precarizam a vida e destroem direitos do proletariado, como o caso do PL das terceirizações.

Nesse cabo-de-guerra a nossa classe média está repetindo o discurso reacionário da direita, contrário às conquistas sociais e pedindo pelo corte de importantes programas de inclusão. Em boa parte nossa classe média é desinformada, mas não é apenas falta de esclarecimento político, econômico e social. Trata-se de uma posição histórica de antagonismo em relação às classes mais depauperadas da nossa sociedade. Ser classe média em uma nação subdesenvolvida com um grande fosso social entre as classes tem os seus atrativos.

Por isso, foi criado para o Brasil o termo "Belíndia", que se referia ao país onde uma pequena classe rica vivia como os ricos da Bélgica e a imensa parte da população pobre como se vivesse na Índia. E para as classes médias, exceto pela questão da violência, viver na Belíndia é muito mais interessante do que viver num país cujo capitalismo seja menos excludente. A pessoa que é das classes médias na Belíndia pode ter seus pequenos servos, como faxineiras diaristas, lavadeiras e passadeiras, coisa que uma pessoa da classe média na Finlândia, por exemplo, não tem acesso, pois não existe uma distância econômica que permita isso.

É neste sentido que assistimos a uma simpática senhorinha, classe média, numa das passeatas, explicar ao repórter que depois das bolsas e outras medidas inclusivas do governo, não existe mais mão-de-obra no Ceará. Todos estariam vivendo de bolsa felizes e abastados. Que existe a mã-de-obra, existe. Contudo, é só dar um pouco de condições que ninguém mais vai se sujeitar a um trabalho sem condições dignas.


A revolução ou as revoluções russas.






Resenha do artigo: "As revoluções russas", do autor Daniel Aarão F. Reis.

No texto em tela, o autor faz uma análise do contexto da revolução russa de 1917. Partindo da Rússia Czarista até os efeitos da guerra civil entre vermelhos e brancos. Defende a ocorrência de uma sequência de três revoluções, dentro desse processo, até a consolidação da União das Repúblicas socialistas Soviéticas.

De início, nos mostra uma fotografia da Rússia Czarista, que era ainda essencialmente agrícola, se valendo do regime de servidão, extremamente atrasada em relação à industrialização que ia se processando em marcha cada vez mais dinâmica na Europa Ocidental.

Quando da participação da Rússia em alguns conflitos bélicos, como a guerra da Criméia e contra o Japão, as contradições e o atraso do "gigante com pés de barro" (Rússia) ficou patente, sendo urgente a necessidade de uma série de reformas para a  implementação de uma política desenvolvimentista.

Neste contexto nasce a chamada intelligentsia revolucionária, que desejava promover um modelo que evitasse as desigualdades sociais, que era comum nos países europeus industrializados. Dividiam-se em dois grupos: aqueles que entendiam a necessidade de um trabalho constante de conscientização das massas e, outro, que pregava a necessidade de uma vanguarda política e intelectual para desestabilizar o governo e promover a revolução.

Note-se que foi neste período que se constituiu a social-democracia russa, com inspiração marxista. Entre os sociais democratas surgiram duas novas correntes: os bolcheviques ( mais radicais) e os mencheviques (mais moderados).

O professor Daniel Aarão entende que a primeira revolução que acontece no correr deste processo foi em 1905, por conta de uma mal sucedida operação militar, no Extremo Oriente, quando o Czar entrou em choque com interesses japoneses naquela área de influência. Os japoneses derrotaram com facilidade a esquadra russa em Port Arthur. A insatisfação popular cresceu e gerou inúmeras revoltas naquele ano. Uma delas foi debelada, pelos Czares, com extrema violência tendo entrado para a história como "domingo sangrento". O Czar acabou recuando e convocou eleições para o Parlamento (Duma). Daí em diante os movimentos camponeses se fortaleceram e constituíram uma importante ferramenta revolucionária.

Intensificou-se o debate sobre qual modelo a Rússia deveria seguir. Se uma monarquia constitucional ou se uma república. Leon Trotski defendia a instalação de uma revolução permanente e Lênin uma revolução initerrupta.

Com a eclosão da primeira guerra mundial se precipitaram os fatos que levaram à derrubada do Antigo Regime na Rússia. O desabastecimento e o caos gerado pela entrada na guerra contra os alemães provocou críticas em todos os segmentos da população. Termina com a queda dos Romanov do poder. O autor considera este momento como a segunda revolução dentro de todo o processo.

Neste momento, o governo passou a ser regido pela Duma e pelos soviets. Contudo, com a decisão do parlamento pela manutenção da rússia na guerra acarretou a formação de novas crises e movimentos. Enquanto isso, crescia o poder dos bolcheviques.

Em outubro de 1917 o partido bolchevique assume o poder derrubando o Governo Provisório. Para o professor Daniel Aarão esta corresponde à terceira e última revolução compreendida durante todo este processo histórico. Há autores, como o historiador Angelo Segrillo, especialista em Rússia e professor de história contemporânea da UFF, que entende este momento como dividido em duas fases: um golpe seguido de uma revolução. 

O estratagema da tomada do poder pelos bolcheviques teria constituído um golpe contra o governo provisório, tendo caráter antidemocrático. Contudo, a população camponesa, nesta queda de braço entre mencheviques e bolcheviques, acabou tendendo para o segundo grupo. Se por um lado os bolcheviques tomavam  parte da produção dos camponeses para solucionar a questão da fome no país, por outro lado eles davam maior garantia da posse sobre a terra para o campesinato. Havia a desconfiança, entre os campesinos, que os moderados mencheviques pudessem entrar em acordo com os antigos proprietários lhes restituindo as terras. Desta forma, após o golpe a população rural acabou aderindo aos bolcheviques emprestando o caráter revolucionário ao fato.

Por fim, levando em conta a tese de várias revoluções menores dentro da revolução, há quem pregue que a guerra civil, entre vermelhos e brancos, deveria ser considerada uma quarta revolução daquela sequência proposta pelo autor do artigo. Se os movimentos de 1905 foram considerados uma das revoluções, ainda que não tenham tido o condão, naquele momento, de realizar as mudanças estruturais na sociedade russa, entendemos que por equiparação a guerra civil também poderia ser considerada uma das revoluções dentro do quadro geral.

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