quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Antiguidade Clássica: As origenas da Academia e do Liceu.





Estas palavras remontam à antiga Grécia e aos filósofos que edificaram suas escolas na cidade de Atenas.

A academia foi o nome dado por Platão à sua escola, fundada por volta de 387a.C. em Atenas. Da mesma forma, Liceu foi o nome atribuído por Aristóteles à escola que fundou na mesma cidade-estado grega por volta de 335 a.C..

O nome "academia" se deve a um cidadão ateniense chamado Academus. Este foi um guerreiro muito aclamado durante a guerra de Troia e que recebeu as honras de herói pelos seus feitos em batalha. Posteriormente, a cidade de Atenas prestou homenagem a ele construindo, num dado local da cidade, um jardim que foi batizado de "jardim de Academus". Tempos depois, Platão adquiriu parte deste terreno onde construiu a sua escola de filosofia. Para manter a homenagem, Platão nomeou sua escola de Academia.

De forma análoga, Aristóteles fundou sua escola nas proximidades de um templo erguido para o deus Apolo Liceu.  Daí a escolha do nome Liceu para denominar a escola. Era comum Aristóteles passear com seus alunos pelos jardins do templo de Apolo Liceu enquanto debatia os temas das aulas. Este procedimento ficou conhecido pelos atenienses como filosofia peripatética, ou seja, aquela que se ensina passeando. É interessante salientar que a palavra liceu significa "matator de lobos", no grego.

Estas palavras chegaram até os nossos dias designando os locais onde ocorre os processos educacionais. Muitas escolas recebem o nome de Liceu. O termo academia, geralmente, se refere às instituições de ensino superior, cujos membros são conhecidos como acadêmicos. O conjunto do pensamento produzido pelas instituições de ensino superior também é nomeado como pensamento acadêmico.


Russell, Bertrand. História do Pensamento Ocidental. ed especial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.

quinta-feira, 31 de março de 2016

As Siglas dos Partidos Políticos podem enganar.



Ultimamente, os professores de história têm que enfrentar aquela recorrente pergunta de alguns alunos se o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores alemães era socialista, comunista ou qualquer coisa de esquerda por conta da palavra "socialista" no seu nome. 

Isto vem ocorrendo mais acentuadamente por conta da atuação de "intelectuais de hangout" como Constantino, Olavo e outros espalharem essas desinformações na rede para enganar os desavisados.
Aí, você, professor, tem que repetidamente fazer aquela longa explanação que apesar do nome na sigla o programa era de extrema direita, que recebia incrementos do empresariado para neutralizar o crescimento dos movimentos pró comunistas no operariado e etc.

Contudo, hoje, ao ver o programa eleitoral do PSC na televisão, lembrei dessa questão sobre o partido nazista. O nosso PSC dá uma boa analogia com o caso acima exposto. Pois o PSC é o exemplo clássico de que o nome nada tem em relação à atuação do partido.

Durante os 10 minutos do programa, duas coisas ficaram bem marcadas. Uma delas foi a lei de iniciativa do partido sobre a redução da maioridade penal. O partido deseja que os adolescentes possam ir para trás das grades graças à atuação parlamentar da egrégia sigla. A outra foi a filiação do deputado Bolsonaro, de discurso extremista, nas linhas do partido e que será provável candidato a presidência da república. Justo um político bem conhecido por suas declarações contrárias aos direitos das minorias, ,mulheres, negros, LGBT's, dos pobres do campo, entre outros.

Para quem não sabe, PSC significa Partido Social Cristão. Mas pelas suas propostas é fácil perceber que não tem nada de social. E nem de cristão !

domingo, 6 de março de 2016

Edenização e Demonização no Brasil Colonial



A historiadora Laura de Mello e Souza, na obra "O Diabo e a Terra de Santa Cruz", utiliza os conceitos de edenização e demonização para construir o universo cultural e das mentalidades dos habitantes ibéricos, notadamente os portugueses, em relação aos descobrimentos e às colônias do novo mundo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Avenida Central



Resenha de texto da autora Armelle Enders (brasilianista).



A autora Armelle Enders é historiadora titular da cadeira de história do século XIX na Universidade Paris 4, em Sorbonne, e conferencista de História do Brasil na Escola Prática de Altos Estudos de Paris. Trata-se de uma brasilianista, pois especialista em História do Brasil e, especialmente, do Rio de Janeiro.

Nesta obra, a autora cumpre o objetivo de esclarecer o contexto urbano da capital federal do Brasil, na época o Rio de Janeiro, durante a primeira república. Apontando as reformas empreendidas para mostrar ao mundo uma capital moderna, segundo os padrões europeus, e as questões decorrentes deste processo. Aborda a dicotomia entre o atendimento aos anseios da população das classes mais altas, atendidos pelas reformas, e o abandono dos populares que sofreram grandes percalços por conta das obras de revitalização da capital. E, por consequência, o clima de tensão que vai se manifestar em revoltas como a chibata e mais à frente a revolta da vacina.

O presidente Rodrigues Alves nomeou Pereira Passos como prefeito para cumprir o objetivo de promover a chamada “ação civilizatória” na capital, que seria a grande reforma que se daria em dois aspectos: as grandes obras urbanísticas e a reforma no âmbito comportamental.

Tendo Paris como inspiração, promoveu o alargamento das ruas, construção de praças ajardinadas, canalização dos rios, abriu a avenida central e promoveu a derrubada do Morro do Castelo, que os sanitaristas indicavam como motivo da falta de circulação do ar na cidade e consequente motivo para infestação de epidemias. Ainda sob pretexto sanitário e urbanístico, removeu vários sobrados que serviam de moradias coletivas, desalojando e empurrando para a periferia milhares de pessoas.

No que diz respeito ao comportamento, serviu para tentar tirar do centro da cidade as práticas mais populares, como venda de animais abatidos nas ruas, conduzir bois pelas vias publicas, proibição de ambulantes, combate ao candomblé e outras práticas religiosas de matriz africana e manifestações carnavalescas como o entrudo.

Com as reformas houve um deslocamento da vida cultural da Rua do Ouvidor para a Avenida Central, onde empresários pretendiam construir a Broadway carioca. Grandes exposições nacionais e internacionais foram realizadas para mostrar e atrair turistas para a cidade. E aos poucos ocorre a mistura de culturas na cidade, quando as tias baianas começam a ocupar espaços nas calçadas das principais ruas da cidade. A culinária e a música negra irão ganhar força na cidade.

No campo esportivo, de início se instalou na cidade o Jockey Club  Fluminense, inspirado no de Paris. Logo surgiram os clubes de remo com apelo popular. Contudo, os competidores eram oriundos das classes abastadas e restava aos populares a posição na torcida. Uma grande revolução esportiva ocorre quando Oscar Cox introduz o futebol na cidade. Surgem clubes ligados à elite, como o Fluminense, e na periferia coube ao Bangu difundir o futebol nos meios proletários. 

Por conta das tensões sociais, começam a aflorar revoltas, como a que foi liderada pelo marinheiro  João Cândido contra a forma com que os marinheiros, de origem humilde e na maioria negros e mestiços, eram tratados pelos superiores.

O artigo é muito interessante e demonstra as contradições de uma sociedade que, no início do século XX, apresentava aspirações europeias e teve dificuldade de enxergar a riqueza que a diversidade étnica poderia lhe conferir. Somente o contato dos diversos elementos durante o tempo, possibilitando a circularidade cultural, vai promover as sínteses que levarão ao Rio de Janeiro construir sua identidade peculiar e consolidar a posição de precursora das tendências nacionais.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A Oração e o Tempo no Período Medieval.





Uma ocorrência comum para copistas, paleógrafos e pesquisadores que trabalham com antigas fontes primárias escritas é se deparar com receituários químicos, de remédios, comida e outros tipos de receitas onde aparecia a orientação de rezar durante o preparo.

Por exemplo, numa receita para se fabricar tinta de escrever pode-se encontrar algo assim: pese tantas gramas do pigmento Y, junte mais tantas do pigmento X, misture-os em água salgada, leve ao fogo para a fervura, REZAR 3 AVE-MARIAS E 3 PAI-NOSSOS, retirar do fogo, esperar esfriar.

Um pesquisador iniciante poderá pensar sobre a mentalidade excessivamente religiosa do cidadão medieval. Que talvez o indivíduo acreditasse que não daria certo o procedimento alquímico se não houvesse a interferência da transcendência divina.

Contudo, a explicação está na questão da contagem de tempo. Nas épocas que não era comum que se tivesse relógios em casa. Não existia nosso relógio de parede e nem de pulso. Muitas vezes o único relógio da localidade ficava na torre da igreja. Então, utilizava-se a referência das orações como forma de contar o tempo dos procedimentos.

Ao revés da receita dizer para ferver por 15 minutos, orientava tantas rezas no sentido de cumprir o tempo necessário para o cozimento.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O que é Paleografia ?


A paleografia consiste numa técnica que permite ao especialista realizar a transcrição de textos antigos. Sejam textos dos mais variados recortes: antiguidade, idade média, moderna e nas diversas línguas. Podendo, por exemplo, se especializar nos documentos luso-brasileiros escritos em diversos séculos desde a colonização.

De certa forma, a paleografia é uma atividade derivada do trabalho dos monges copistas da idade média. Estes faziam o trabalho de transcrição das obras encontradas nas bibliotecas dos mosteiros, pois a dificuldade do armazenamento, naquela época, levava a que se perdesse rapidamente os volumes escritos.

Não é por mero acaso que ainda hoje a principal escola de paleografia se encontra no Vaticano. 

O paleógrafo terá que se aprimorar no desenho peculiar das letras em cada época. Como, também, a ortografia, abreviaturas e palavras correntes de cada temporalidade.

Além do texto em si, deverá cuidar, ainda, da investigação das diversas superfícies em que a escrita se realizou, como papiros, pergaminhos, tábuas enceradas e os diversos tipos de papeis. Como, também, os objetos que eram usados para realizar a escrita, desde instrumentos pontiagudos para gravar a pedra ou a cera até a caneta esferográfica moderna. Outro ponto a ser estudado são os diversos tipos de tintas e pigmentos utilizados desde a antiguidade até a tintura atual.

Veja se você tem olhar de paleógrafo e consegue transcrever o texto da abertura deste post.