domingo, 17 de dezembro de 2017

A biografia do primeiro palhaço negro da França ilumina nosso entendimento sobre as sociedades de ontem e hoje.



Nesses dias tive a oportunidade de assistir pela primeira vez ao filme "Monsieur Chocolat", que trata sobre a vida do primeiro ator circense negro na história da França. Constitui um drama do cinema francês dirigido por Roschdy Zem e lançado no ano de 2016. Teve uma excelente atuação do ator Omar Sy que deu vida ao protagonista Rafael Padilha. Escravo de origem cubana, nascido em 1868, Padilha foi vendido quando criança e levado à França, onde conseguiu fugir do cativeiro e foi ajudado por um palhaço circense, de nome artístico Footit, que o aproveitou como "escada" em suas apresentações. A dupla - Footit & Chocolat - fez um estrondoso sucesso e Padilha acabou sendo o centro das atenções nos picadeiros da Belle Époque francesa no final do século XIX, quando ficou conhecido pelo nome artístico de Chocolat. A curiosidade que devemos registrar é que o palhaço Footit é interpretado pelo ator James Thierrée que é neto de Charles Chaplin.


A película traz uma série de temas muito interessantes para serem discutidos nas salas de aula da graduação ou do ensino médio. A questão principal versa sobre o preconceito racial. Sob a influência das ideologias raciais e eugênicas do período positivista, vemos retratada na obra uma violência ainda maior dirigida às relações afetivas inter raciais. Também vem à tona a questão do reconhecimento salarial do trabalho, quando o mesmo trabalho feito por um negro era remunerado de forma bem menor. Os patrões sequer discutiam os contratos com o palhaço negro, sendo tudo tratado com seu parceiro branco. Outra questão muito interessante que é trabalhada em certo momento trata das exposições coloniais em que grupos de famílias negras eram mantidas em cercados e expostas ao público como que num zoológico humano.


 Não se trata de uma história de ficção. Footit e Chocolat foram personagens reais e muito queridos principalmente pelo público infantil. Na imagem ao lado temos uma foto da dupla verdadeira, que no auge do sucesso foi convidada a realizar uma apresentação para ser capturada pela lente do cinematógrapho dos irmãos Lumière. Eles criaram uma fórmula que seria repetida por artistas circenses até os dias atuais, em que um dos palhaços é o descolado e esperto, enquanto o outro é bobo e vira alvo das gozações, tapas e chutes no traseiro. Footit era o esperto e Chocolat a vítima das brincadeiras. A fórmula deu certo por duas razões: a enorme capacidade de ambos para a comédia e o fato das cenas dialogarem com a mentalidade colonial e racista do público. Afinal, o que se fazia na prática dentro do picadeiro, quando o negro "pouco inteligente" apanhava, era reproduzir o senso comum da época. Porém, o jovem Rafael Padilha começa a realizar uma crítica quanto ao seu papel no mundo artístico. Sua primeira reação de insatisfação ocorre contra o cartaz produzido pelo Nouveau Cirque de Paris onde ele foi retratado com feições de macaco.  Sua postura crítica ficou ainda mais aguçada quando teve contato com lideranças intelectuais negras envolvidas com o processo de independência do Haiti. Neste ponto, Padilha se recusa a continuar no picadeiro e se propõe a interpretar Otelo, de Shakespeare, no teatro.


 Naquela época, não havia negros atuando no teatro. Os papeis de personagens negros eram interpretados por atores brancos com o rosto pintado de preto (conhecidos como blackface). A ousadia de almejar um lugar no panteão mais nobre das artes custou caro a Rafael Padilha. Apesar de atuações seguras, a crítica era sempre ácida contra ele. Várias pessoas iam assistir à peça apenas para xinga-lo em público.  O que estava em pauta não era mais a avaliação artística da produção e do ator, mas o discurso de ódio que visava tirar de cena o simbolismo da ascensão cultural e profissional de um negro no seio da sociedade parisiense do início do século XIX. Chocolat acabou defenestrado e perdeu espaço nos palcos. Acabou morrendo pobre e no esquecimento na cidade de Bourdeaux em 1917. A foto à esquerda traz uma placa indicativa do local onde Chocolat foi sepultado.


Torna-se interessante que façamos uma viagem panorâmica pelas ideologias que formavam a mentalidade dos indivíduos europeus neste recorte histórico entre o século XIX e a primeira metade do século XX, período em que viveu o palhaço Chocolat. No aspecto econômico, a escravidão estava sendo extinta na maior parte do globo. O capital industrial necessitava da ampliação do mercado consumidor mundial. Destarte, era imperiosa a substituição da mão-de-obra escrava pelo trabalhador assalariado. Contudo, os séculos em que se explorou a escravidão durante o período moderno deixariam uma marca indelével nas relações humanas. O homem comum europeu veria o africano e o indígena americano sob a ótica da subserviência e da inferioridade. A escravidão colonial moderna teve características e fundamentos diversos de tempos históricos pretéritos. Na antiguidade o fundamento de perda da liberdade residia principalmente na derrota em guerra e por conta de dívidas. No período colonial europeu os fundamentos da escravidão atingiram o conceito de unicidade da humanidade. Tanto o negro quanto o índio foram considerados biologicamente e culturalmente inferiores. A própria igreja chegou a advogar que o negro, diferentemente do homem branco, não possuía uma alma. Desta forma, se desumanizava o escravo que passava a ser encarado como mais um animal ou ferramenta da fazenda. Sob o manto da filosofia positivista, a academia incorporou esta visão racista e desenvolveu uma série de teorias em que supostas fragilidades biológicas determinariam o atraso intelectual e civilizatório daqueles populações. Inspirados na evolução das espécies proposta por Darwin, pensadores passaram a criar hierarquias evolutivas entre as "raças" humanas. Neste contexto, o relacionamento entre pessoas de "raças" diferentes era fortemente condenado, pois os seres "híbridos" herdariam apenas as piores características de cada tronco. Assim, o mestiço era considerado uma degenerescência biológica e moral. Neste contexto, a empreitada colonial ganhava uma legitimação de "fardo civilizatório" do homem branco naqueles continentes.


A historiadora Lilia Moritz Schwarcz, no segundo capítulo de seu livro "O Espetáculo das Raças", apresenta uma coletânea das diversas correntes científicas que até a metade do século XX utilizavam a diferença racial como pressuposto teórico. A autora aponta para as tensões e contradições entre o pensamento político iluminista do século XVIII e a produção intelectual do século XIX. Enquanto a ideologia dos revolucionários liberais propagava conceitos que tratavam a humanidade como una - igualdade e fraternidade - e filósofos como Russeau falavam da "perfectibilidade" humana; por outro lado, ainda na segunda metade do século XVIII surgem teóricos, como De Pauw e Buffon, que defendiam uma suposta inferioridade física e mental dos continentes africano e americano. Esta segunda visão se intensificou e radicalizou nas construções acadêmicas ocorridas durante o século XIX. Foi a partir da obra do naturalista francês Buffon que se instalou um senso de hierarquia etnocêntrica na produção científica. O jurista Corneluis de Pauw introduziu a noção de "degeneração americana" e, no início do XIX, o termo raça é incluído na literatura especializada por Georges Cuvier. Desta forma, a professora Schwarcz conclui que a reorientação intelectual ocorrida durante o século XIX foi uma reação ao iluminismo e sua visão unitária da humanidade.


Essas teorias raciais têm seu ponto culminante durante a segunda guerra mundial, no século XX, com as políticas de eugenia e higienistas da Alemanha nazista. A perseguição aos judeus, negros, gays e outros segmentos minoritários são os efeitos de toda essa ideologia nas políticas públicas. Com o final da segunda guerra há uma grande revisão do pensamento acadêmico e as teorias raciais são, finalmente, afastadas e supostamente superadas. O próprio progresso das ciências biológicas indicou que as diferenças genéticas entre os diversos tipos humanos são tão ínfimas que não se pode aplicar o termo raça (no sentido biológico) aos seres humanos. Os pesquisadores abandonaram o termo raça e passaram a trabalhar com o conceito de etnia, que se refere ao conjunto do acervo cultural de um determinado grupo de pessoas. Contudo, muitos pensadores estabelecem uma crítica em relação à própria academia, ao dizerem que as distinções raciais continuaram maculando o pensamento acadêmico ainda que de forma subterrânea. O sociólogo brasileiro Jessé Souza, por exemplo, em seu recente lançamento "A Elite do Atraso" faz uma análise que se por um lado a produção científica abandonou o conceito de raça, por outro adotou um critério culturalista com viés racista. O "culturalismo racista" é aquele que passou a hierarquizar as culturas colocando a europeia num patamar superior. Desta forma, haveria culturas mais propícias ao progresso e à civilização que outras. Esse é o modelo de mentalidade que levou à construção ideológica de que a cultura protestante seria a base da elevação dos EUA na maior potência capitalista mundial.

Concluindo, a questão racial dividindo a humanidade está longe de ser solucionada. Se o conceito de raça foi superado pela biologia, ele continua vigente do ponto de vista sociológico. No próprio meio artístico, que foi a arena de batalha do ator Rafael Padilha (o Chocolat), a valorização dos artistas negros continua muito questionada. No ano de 2016 houve várias críticas e boicotes à premiação do Oscar por conta do notório desnivelamento entre artistas brancos e negros. No cenário brasileiro não é muito diferente. Nas novelas os personagens negros ficam, em regra, escanteados a posições subalternas. O famoso autor de folhetins, Manoel Carlos, ficou famoso pela fórmula de retratar a faceira elite do Leblon e usar atores negros quase que unicamente como "empregados" dos outros personagens (faxineiras, cozinheiras, morotistas, etc..). Pelo exposto, vale à pena assistir o filme Chocolat e estabelecer todas estas discussões.

Vídeo com fragmentos de apresentação de Footit e Chocolat filmada pelos irmãos Lumière.
https://www.youtube.com/watch?time_continue=120&v=XjHZ_z23BZY

Vídeo com outro fragmento de Footit e Chocolat gravado pelos Lumière e colorizado posteriormente.
https://www.youtube.com/watch?v=qpYTanqDzvc

Making Of do filme francês de 2016 "Chocolat".
https://www.youtube.com/watch?v=LY5QDqX7QGY

Leituras sugeridas sobre teorias raciais e seus efeitos sociais:
  • Livro "O Espetáculo das Raças". Autora "Lilia Moritz Schwarcz". Companhia das Letras, 1993.
  • Livro "Quem é bom já nasce feito". Autor "André Mota". Editora DP&A, 2003.
  • Livro "A Elite do Atraso: da escravidão à lava jato". Autor "Jessé Souza". Leya, 2017.

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

The political Walking Dead Brazil: os políticos parecidos com personagens do seriado.



Para os fãs do seriado mais assistido no mundo, é interessante olhar a política nacional traçando alguns paralelos com personagens "arquetípicos" do programa. É claro que minhas comparações são diretamente proporcionais à leitura política que faço da realidade brasileira.

O Negan, por exemplo, é o personagem que mais vem chamando a atenção do público. Isso está diretamente relacionado à brilhante atuação do ator que interpreta o personagem. Provavelmente, o melhor ator que já passou pelo seriado em todos estes anos.

Na política nacional comparo o Negam ao presidente interino Temer. Não por conta da capacidade dramática do político em questão, mas por alguns aspectos comuns à trajetória de ambos. O Negam tomou o controle de várias comunidades de forma nada democrática. Mais ou menos como o impeachment muito discutível da presidenta Dilma. O Negam governa através da força física e das armas e o atual governo através da força do mercado e da mídia. O Negam adora dar umas cacetadas na cabeça de outros personagens. O presidente Temer já deu pancadas de morte na educação e na saúde, com a redução dos investimentos em ambas as áreas. Também deu uma boa cacetada nas leis trabalhistas e está fazendo de tudo para rachar o crânio da previdência social.



O presidente Lula vem brigando e correndo de uma lado para o outro, com suas caravanas, para tentar reaver o poder perdido. Isso o coloca diretamente relacionado ao Rick Grimes. É claro que Lula não tem o perfil longilíneo de galã do cinema americano, mas passa como um rick do agreste nordestino.


Por ora, parece que depende de Lula e de Rick que o povo possa mais uma vez ter uma luz de liberdade no fim do túnel. Se Rick ainda tem toda uma legião de zumbis contra si, o ex presidente precisa escapar de um congresso cheio de figuras que mais atrapalham do que ajudam o país.



O senador Lindberg Farias lembra muito o Carl, filho do Rick Grimes. Quase que em todo lado que o Lula vai discursar o senador está por perto como aqueles papagaios de pirata. Talvez Lindberg esteja sendo preparado para ser a futura grande liderança de esquerda, uma vez que já se foram figuras de peso como Brizola e Darci, sem que tenham surgidos novos nomes naturalmente.

Carl seria naturalmente o sucessor de Rick na trama do seriado. Porém, no último capítulo da atual temporada o garoto foi mordido por um zumbi e tudo indica que deixará a trama. Será que Lindberg terá melhor sorte ?

A senadora e ex petista Marta Suplicy me faz lembrar da personagem Jadis, que lidera a comunidade do lixão. Marta abandonou o partido em um momento complicado da história da sigla. Ela fundamentou sua decisão por conta das acusações de corrupção no governo petista, mas se filiou ao PMDB que é um dos partidos mais citados nos processos que envolvem a lava-jato.


Jadis é uma figura pouco confiável no mudo pós apocalíptico. Deixou Rick Grimes na mão quando ele mais precisou do seu apoio no embate contra Negan e os salvadores.


 Maggie e a pré candidata à presidência Manuela D'Ávila, do PCdoB, apresentam uma história semelhante. Ambas eram fiéis seguidoras de lideranças masculinas. Maggie sempre foi uma coadjuvante no grupo de Rick. Porém, com a morte do marido se tornou líder se sua própria comunidade e tem potencial de ser a principal liderança das comunidades aliadas.



Manuela D´Ávila se destacou no PCdoB do Rio Grande do Sul. Agora, ao contrário do que tradicionalmente ocorria em todas eleições presidenciais, Manuela e o partido comunista do Brasil não estarão com o PT no primeiro turno. Manuela sairá candidata ao cargo máximo do país. 

 O professor Cristóvam Buarque tem seu duplo no seriado que é o personagem Eugene Porter. Ambos simbolizam a voz da ciência, mas suas trajetórias inconsistentes deixam dúvidas sobre suas convicções.
Tanto um quanto outro estão mudando radicalmente de lado durante a peleja. Há quem acredite na redenção de Eugene. No entanto, a academia não mostra confiança no senador.

 O ilustre senador Paulo Paim, do Rio Grande do Sul, é análogo ao Morgan do seriado. Ambos são lutadores incansáveis. Paim sempre brigando pelos direitos previdenciários e outros benefícios dos idosos.

Assim como Morgam, o senador também aparece a maior parte do tempo solitário em suas lutas. Sem contar que a arma utilizada pelo personagem da franquia de terror, o bastão, não consegue fazer tanto estrago.

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Lista numerada dos participantes que concorrem ao sorteio do novo lançamento do professor Daniel Aarão Reis.





A seguir, a listagem numerada com os participantes (nome do perfil no facebook) que estão concorrendo a uma unidade do livro "A revolução que mudou o mundo: Rússia, 1917", de autoria do professor Daniel Aarão Reis e lançado em 2017 pela editora Companhia das Letras, através do grupo "Prophisto História Geral & Brasil" no facebook:

01 Ueder Cardoso  -  02 Lucas R Bueno  -  03 Maxwell Medeiros  -  04 Thiago Gomes  - 
05 Dom Carmo  -  06 Dionisio Sanabio  -  07 Miriam Helem Soares Fernandes  -  08 Marina Braga  -
09 Dá Ferreira  -  10 Brunno Vianna  -  11 Rosemary Gimenes Trivelati -  12 Guilherme Vassão  -
13 Dayana Oliveira  -  14 Suzana Ieda  -  15 Roberta Silva  -  16 Welder Gonçalves  -  
17 Edson Kock  -  18 Leonardo Aguiar Trindade  -  19 Clayton Novais  -  20 Felipe Coelho  -
21 George Abreu  -  22 Alberto Fonseca  -  23 Airton Feitosa  -  24 Nicolina Inocencio  -
25 Thiago Santana  -  26 Raquel Lorenzo  -  27  Ive Santos  -  28 Elcio Batista Matos  -
29 Rafael Jared  -  30 Daiane Rocha da Silva  -  31 Bruno de Lino  -  32 Atlas Rodrigues Monteiro  -
33 Sonia Guevara  -  34 Geraldo Carvalho Santos  - 35 Luiz Felipe Oliveira  Caixeiro  -
36 Lia do Nascimento  -  37  Denis Moreira  -  38 Valter Miranda  -  39 Alyson Martins  -
40 Danielle Guedes  -  41 Karine Ferreira  -  42 Marco Antonio Serafim  -  43 Welison Resende  -
44 Trindade Machuca  -  45  Rinaldo Lucas  - 46 Amanda Gentil Sobral  -  47 Stefano Ribeiro  -
48 Patrícia Borges Manoel Garoni  -  49  Tiago Fernandes  -  50 Herlane Távora  -
51 Jaime Cuellar Velarde  -  52 Álvaro Saluan da Cunha  -  53 Rogério Cote  -  54 Daniela Contro  -
55 Caroline Silva  -  56 Paulo Mauricio França  -  57 Isabella de Figueiredo  - 58 Káritha Parreira  -
59 Elisabeth Rocha Rocha  -  60 Barbara Pinheiro Baptista  - 61 Priscylla Alves - 
62 Bruno Alves Fernandes  -  63 Márcia Maria Dias Dias  -  64 Vesna Ilana  -  65  Jane Santos  -
66 Rodrigo Barretto  -  67  Ana Carolina Machado  -  68 Elaine Pires  -  69 Nathalia Fernandes  -
70  André C. Abreu  -  71 Ana Clara  -  72 André Lorena  -  73 Rodrigo de Sena  -  74 Iza Santos  -
75 Nilton Silva Jardim Junior  - 76 Shirlene Miranda  -  77 Thaina Salerno  - 
78 Anderson dos Santos  -  79 Kimberly Diehl  -  80 Simone Maria dos Santos  -  81 Renata Moreno
82 Messala Alkmin  -  83 Rosilene Maria Martins  -  84 Tiago Dias  -  85 Eduardo Morais  -
86 Daisy Henriques  -  87 Elvis Trindade  -  88 Max Alessandro  -  89 Maria Regina Fontebassi  -
90  André Felipe  -  91 Léo Lacerda Delfino  -  92 Thiago Bergoci  -  93 Erick Martignago  -
94 Talita Kelly Prado  -  95 Lívia Maia  -  96 Ney Nunes  -

97 Paula Katherine  -  98 Eleomar Nepomuceno  -  99 Joao Maciel  -

100 Marizete de Lima  -  101 Luis Victor  -  102 Gildasio Almeida  -

103 Ricardo Junqueira  -  104 Igor Ferreira Komar  - 105 Arenilson Silva  -

106 Vitor Andre de Souza  -  107 Renata Cristiane  -  108 Danilo Alves  -

109 José Luiz Martins Matos  -  110 Ilma Souza  - 111 Diogo Tomaz  -

112 Nathalia Nascimento  -  113 Monica Maria Toscani Cseri  -  114 Murilo Rene Schoeps  -
115 Maria Aparecida Silva  -  116 José Antônio  - 117 Jorge Edson  -

118 Luiz Kilunji Neto  -  119 Tayane Oliveira  -  120 Luis Esteban Dominguez  -

121 Jéssica Villa Nova Tavares  -  122 Eduardo Ribeiro  -  123 Edislaine Fernandes  -

124 Marcos Carvalho  -  125 Silze Albuquerque  -  126 Juliano Timóteo  -

127 Lourença de Brite Freitas  -  128 Admara Titonelli  -  129 Lair Amaro  -

130 Marildo Gomes Barreira  -  131 Arnaldo Araujo  -  132 Anderson Silva  -

133 Nicolas Labriola  -  134 Jose Paulo Marin  -  135 João Paulo Bernardes  -

136 Jean Carlos  -  137 Raquel Gonçalves  -  138 Janaina Coimbra  -

139 Rosenilde Amorim Araújo  -  140 Jorge Costa Silva  -  141 Angela Moreira  -

142 Maria Regina Carvalho da Silva  - 143 Carlos Allan  -  144 Felipe Nogueira  -

145 Milena Ribeiro  -  146 Victor Sobrinho  -  147 Renato de Brito  -

148 Nanna Buarque  - 149 Maria Claudia Ranzato  -  150 André Magalhães  -

151 Ana Silva  -  152 Dilene Costa Costa  -  153 Rosely da Costha  -

154 Thales Ambrosini  -  155 Bruno Ramos  -  156 Caio Derossi  -

157 Samuel Torres Bueno  -  158 Priscila Cunha  -  159 Domingas Pelegrini Vilas Boas  -
160 Fabio R. Santos  -  161 Keylla Ribeiro  -  162 Ricardo Figueiredo de Castro  -
 
163 Morgana Bruno  -  164 Tobias Conti  -  165  Eva Abreu de Carvalho  -

166 Brice Calsapeu Losfeld  -  167 Alexandre Gazineo  -  168 Jr Fontes  -

169 Cristina Esteves  -  170  Paulo Seabra  -  171 Ana Paula Vaz  -

172 Betania Beta  -  173 Rê Sitra Ahra  -  174 Luís Guilherme  -

175 Luiz Antonio Dino  - 176 Juliano Godoi  - 177 Fabia Silva  -

178 Marcello Rangel  -  179 Lazaro Lira Galindo  -  180 Jocimar Vieira  -

181 Alan Lima  -  182 Ana Lúcia Tavares  - 
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O soretio correu no domingo dia 10/12/2017.
Ganhou o número 142 Maria Regina Carvalho da Silva!

Aqui está o link com o sorteio efetuado para conferir:
https://sorteador.com.br/sorteador/resultado/1013604

sábado, 2 de dezembro de 2017

Os 100 anos da Revolução Russa e sorteio do lançamento de Daniel Aarão Reis.





Neste ano de 2017 comemora-se os cem anos da revolução socialista russa que mudou significativamente a geopolítica mundial. Foi um dos movimentos populares mais significativos e exitosos da história da humanidade, que conseguiu derrubar o governo dos czares. Conseguiu recuperar o país do atraso a que estava submetido. A URSS viria a ser fundamental da queda do regime nazista e, posteriormente, rivalizaria com o imperialismo americano em diversas disputas econômicas e militares estratégicas  que marcou boa parte do século XX sob a lógica da chamada "guerra fria".

As relações de trabalho foram influenciadas pela revolução russa não apenas dentro do bloco soviético, mas em todo o globo. O "estado de bem estar social" construído no mundo capitalista foi um resposta para estancar e afastar o fantasma vermelho das nações ocidentais.  Graças à revolução de 1917, as gerações como a minha, por volta dos 50 anos de idade, e as anteriores tiveram oportunidades como a de leis trabalhistas que regulavam as relações de trabalho, escola pública gratuita, universidade pública, saúde pública e previdência social. A extinção do bloco soviético está realizando um efeito dominó que vem derrubando todas estas conquistas da classe trabalhadora. Ao que tudo indica, as futuras gerações não se beneficiarão destas políticas públicas.

Esta data comemorativa movimentou o mercado editorial em todo o mundo e no Brasil. Várias novas obras analisando as revoluções russas foram parar nas prateleiras das grandes livrarias. Destacamos a obra lançada pelo professor Daniel Aarão Reias, titular de história na Universidade Federal Fluminense, intitulada "A Revolução que Mudou o Mundo: Rússia 1917". O citado autor é reconhecidamente um dos maiores especialistas na história da Rússia que temos no país. E sua nova obra traz dois capítulos abordando dois temas que ganharam muito espaço nos últimos anos: a importância do campesinato e  a atuação das mulheres no processo revolucionário.


- SORTEIO DE LIVRO -

Este Blog, dos ex alunos da Faculdade de Humanidades Pedro II, está doando 01 (um) volume da obra "A Revolução que mudou o mundo: Rússia 1917", de autoria do professor Daniel Aarão Reis, lançada pela editora Companhia das Letras, para ser sorteada através do grupo "prophisto - história geral & Brasil" no facebook.

Os interessados em concorrer ao livro leiam as orientações abaixo:

1) Pedimos que você siga este blog clicando no botão "seguir" que fica na tela do blog à direita de quem está lendo. A sua presença entre os seguidores do blog é importante para que nos incentive a realizar outros sorteios futuros.

2) O prazo para participar vai de 03/12/2017 a 09/12/2017.  O sorteio será realizado no dia  10/12/2017.

3) Ingresse, pelo link abaixo, no grupo "prophisto - história geral & Brasil" no facebook para ler as regras de participação no sorteio que se encontram na publicação "fixada", que é a primeira postagem que aparece na linha de tempo (mural) do grupo.


BOA SORTE !!!


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O médico e o golpe: como foi que a categoria do uniforme branco embarcou na maior canoa furada de todos os tempos.




A categoria dos médicos foi, sem sombra de dúvida, a que mais se mobilizou a favor da candidatura de Aécio Neves, nas últimas eleições presidenciais, e, depois, aderiu aos movimentos pró impeachment ainda que não restasse comprovado crime de responsabilidade por parte da presidente em exercício.

Acontece que os profissionais da saúde há muito tempo, e não somente durante o governo passado, estão com as condições de trabalho, no setor público, e os salários deveras defasados. Por isso, os médicos brasileiros têm resistência a ir trabalhar no interior do país ou nas periferias. Pois, nestes lugares as condições são ainda mais precárias e os baixos salários não compensam. Desta forma, o médico recém formado deseja ficar nos grandes centros, onde pode ter a garantia do emprego público, ficar próximo dos cursos de aprimoramento profissional e ainda ganhar um bom dinheiro no seu consultório particular. Algo que seria impossível nas pequenas cidades de interior, onde não há mercado consumidor para os altos preços das consultas particulares e nem a existência de universidades para dar continuidade aos estudos acadêmicos.

Para se deslocar ao interior dos estados, a categoria postulava que a carreira médica e seus salários fossem equiparados com o pessoal do judiciário. Quem é da área jurídica sabe que os formandos em direito passam a constituir um grupo chamado de "concurseiros". Viajam o país, do Oiapoque ao Chuí, realizando concursos até passar. Ainda que passe para um estado mais pobre e para trabalhar no interior os salários compensam, principalmente para as funções de juiz e ministério público.

Pessoalmente, concordo plenamente com esta postulação dos médicos. Quem salva vidas deveria ganhar igual ou superior a quem decide qual é o melhor direito. Não somente os médicos, mas muitos outros profissionais (como os professores) deveriam perceber remuneração parecida com aquela auferida aos altos funcionários da justiça.

Porém, o governo Dilma ao revés de estabelecer uma carreira com polpudos salários para o pessoal do estetoscópio, decidiu por trazer médicos do exterior para suprir a falta destes profissionais nas periferias pobres e no interior. Esta foi a senha para que os médicos incendiassem as discussões contrárias aos médicos cubanos e ao governo. Para a categoria, a vinda dos médicos estrangeiros representava o fim dos sonhos de uma carreira pública vantajosa financeiramente.  Assim, se jogaram nos braços da oposição política ao governo ora no poder.

Só que os profissionais da saúde fizeram uma leitura muito equivocada da conjuntura política que se apresentava. A oposição de viés neoliberal, que historicamente defende o estado mínimo, jamais iria investir na estrutura hospitalar pública, num plano de carreira para os profissionais e, tão pouco, em altos salários.

O golpe parlamentar trouxe os neoliberais para o centro do poder estatal. Como consequência, a já combalida estrutura do SUS seria ainda mais precarizada, não haveria aumento nos proventos e os médicos ainda irão sofrer perdas nos seus consultórios particulares.

Ocorre que com as políticas públicas de distribuição de renda e de valorização do salário mínimo, levadas a cabo pelo governo anterior, muitos médicos estavam saindo das amarras do sistema dos planos de saúde, que pagavam valores irrisórios pelas consultas. Em regra, os médicos faziam o seguinte esquema: se o paciente tivesse um plano de saúde era cobrado um valor de consulta mais baixo, mas que ainda assim era bem mais vantajoso que a cobertura do plano de saúde.

Atualmente, no entanto, com as políticas recessivas implementadas pelo governo neoliberal, o mercado consumidor irá retroceder de forma avassaladora. A política de diminuição do salário mínimo, a reforma trabalhista e a reforma previdenciária empobrecerá significativamente o mercado consumidor interno. Os médicos ficarão novamente nas mãos dos planos de saúde, que poderão repassar valores ainda mais baixos pelas consultas.

Destarte, o apoio dos médicos ao golpe acabou configurando o clássico tiro no pé !

Com o atual grupo no poder, os médicos terão prejuízos tanto no setor público quanto no privado. E como tudo que está ruim pode ficar ainda pior, devemos lembrar que todos os semestres as universidades continuarão a inundar o mercado com mais uma leva de médicos recém formados. Uma vez que o recorte social do qual saem os estudantes de medicina continuará com capacidade financeira para custear o estudo. Isso torna a visão futura ainda mais catastrófica, pois se por um lado haverá o aumento contínuo de profissionais, por outro lado o mercado consumidor irá diminuir continuamente nos próximos anos.

O governo passado quando anunciou o programa "mais médicos" deixou uma luz no fim do túnel para a categoria. Foi a previsão legal que parte substantiva dos lucros futuros da exploração do petróleo no pré sal seriam aplicados na saúde e educação. Isto poderia corresponder à sonhada carreira e salários equiparados com o judiciário. O governo interino, além dos problemas já arrolados acima, ainda revogou esta disposição a respeito do investimento dos dividendos obtidos na exploração petrolífera na área da saúde e educação. Ainda pior, votaram lei que restringe os gastos na área por mais de 20 anos. Apagou a luz no fim do túnel !

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Lojas Temer realizam a maior black friday da história: é um país inteiro em liquidação !





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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Não reproduza mentiras que espalham sobre os funcionários públicos. Entenda a realidade da maioria deles.



Vamos lá:
Voltando a postar no blog depois de um tempo e coloca tempo nisso.
Estou compartilhando um texto postado no Facebook. O texto fala sobre o servidor púplico, apontado  de ter regalias. Será? Vale o debate:
Algumas verdades sobre o servidor público que você precisa saber:(exceto cargos comissionados)

1) Temos estabilidade, mas ela não é inviolável! Existe um estatuto do servidor público e qq atitude que o servidor tome que vá contra a ele o servidor sofre processo administrativo, podendo ser exonerado de suas funções e até demitido

2) A tal estabilidade só ocorre após o servidor passar por um estágio de avaliação chamado estágio probatório, que dura 3 anos e ele é avaliado periodicamente, podendo ser demitido a qq momento.

3) A única forma de se ingressar no serviço público é mediante concurso! Composto de prova escrita e em alguns casos prova prática

4) com isso não tem como vc ingressar no serviço público por ser filho do dono ou amigo do CEO como pode ocorrer no particular.

5) Não recebemos pelo INSS! Não contribuímos pelo INSS, temos um fundo próprio de previdência que é mantido UNICAMENTE pelo servidor.. ..nenhum centavo do seu $$ vai pra nossa aposentadoria.

6) Servidor tem metas, é descontado quando falta o serviço e tem um regime de trabalho igual a de qq outro trabalhador.

7) O salário médio de um servidor não passa de 1500 reais e temos apenas 2 formas de reajuste: ou por tempo de serviço (onde eu por exemplo recebi 70 reais a mais por completar 5 anos no Município) ou em alguns casos pelo reajuste anual que deveria seguir o IPCA mas nunca segue e não passa dos 8%, quando é concedido ( o Estado do Rio de Janeiro não vê reajuste tem 3 anos!).

8 ) Todo servidor contribui para a previdência até quando se aposenta.

9) O tempo para o servidor se aposentar é de 25 anos de serviço pras mulheres e 30 anos pros homens....mas ele só pode dar entrada na aposentadoria depois de cumprido todos os dias que ele faltou, incluindo dias com atestado médico.

10) Servidor público quando é demitido ou exonerado não recebe FGTS.

Por favor repassem esse post porque muita gente fala do servidor público sem saber e coloca todo mundo no mesmo saco de gatos....garanto que 90% dos servidores pelo menos passam pelas coisas que coloquei aqui.....nao deixe te enganar!!!!

domingo, 26 de novembro de 2017

O Zumbi dos Palmares possuía e vendia escravos? O revisionismo conservador que falsifica a história para desconstruir lideranças populares.




Através dos tempos temos acompanhado a estratégia de desconstrução de lideranças populares através das mais diversas ferramentas à disposição do status quo dominante. Confundir as massas da base da pirâmide social por meio da "satanização" das suas lideranças genuínas é vital para mantê-las desarticuladas e, desta forma, conservar o sistema de dominação econômico, político e social.

No passado não muito distante, os tabloides expostos e vendidos nos jornaleiros faziam a linha de frente nesta estratégia de desinformação. Com  o surgimento do cinema, verificou-se que a narrativa imagética era ainda mais forte que os textos impressos. A invenção da televisão foi um avanço imenso para as técnicas de manipulação das massas. Através dela se consegue mobilizar ou desmobilizar multidões, conforme o desejo da sua direção editorial e seus financiadores.

Contudo, em alguns momentos esses meios de comunicação acabam realizando um exercício de metalinguagem e expõem esse lado obscuro da manipulação. Em 1924, quando a discussão sobre a situação do trabalhador estava no ápice, o filme Metrópolis, do cineasta alemão Fritz Lang, dialogou com a questão da tecnologia sendo utilizada para manipular, confundir e desacreditar os líderes operários.

Atualmente, em alguns locais, presenciamos a articulação da grande mídia com instâncias do poder estatal  para produzir este efeito que vai desde à derrubada de governos populares até aos trabalhadores defendendo teses que são contrárias aos seus próprios interesses.

Verifica-se, também, um segundo e mais agudo nível de desconstrução, quando se manipula a própria história de um povo para que suas referências históricas sejam relativizadas, satanizadas e, por fim, esquecidas. Esse manipulação da história com intuito de realizar falsificações atende pelo nome de "revisionismo apologético".

Logicamente que a história pode sofrer mudanças interpretativas. Isto ocorre tanto quando surgem novos paradigmas analíticos academicamente reconhecidos ou pelo achamento de novas fontes sobre o tema estudado. Após um aprofundado debate dentro da academia, guiado pelos fundados princípios da metodologia de pesquisa, novas interpretações legítimas podem aflorar dos estudos sobre o passado. Porém, o revisionismo que deve ser criticado é aquele que não é fundado em novas fontes e sob uma análise crítica coerente; mas um revisionismo que se afasta da metodologia científica com o único objetivo de fazer apologia de uma linha de pensamento sociopolítico. Para quem gosta de referências bibliográficas, um lançamento recente que discute esta questão é a obra "Contribuição à crítica da historiografia revisionista", que tem o professor Demian B. de Melo como um dos organizadores.

Um caso que, pela sua pertinência, já pode ser considerado um estudo clássico deste revisionismo predatório é o que vem ocorrendo em relação à figura histórica de Zumbi e o quilombo dos Palmares. A história de Zumbi como liderança negra de resistência ao sistema colonial escravista é muito cara a toda a comunidade negra brasileira que o elegeu como personalidade do dia comemorativo à consciência negra. Alguns revisionistas conservadores vêm alterando a narrativa sobre Zumbi, que de chefe da resistência negra passa a compactuar com o regime escravista, vendendo escravos para fazendeiros brancos.

Se por um lado, é verdade que na África existiam formas de escravidão, por outro, é necessário esclarecer que a escravidão ocorrida nos reinos e tribos africanas tinham característica muito distinta da praticada pelos lusitanos. Na África, a escravidão estava ligada à derrota em batalha, quando o escravo passava a fazer parte da "casa" do seu senhor e praticamente era assimilado à nova organização social. Parecia analogamente com a escravidão ocorrida nas antigas cidade-estado gregas. Estava longe de ter o caráter estritamente étnico e econômico implementado pelos portugueses em suas colônias.

Ainda que os africanos fugidos e refugiados nos quilombos tenham introduzido uma organização semelhante à dos reinos africanos, certamente era algo muito distante da realidade das fazendas e sesmarias administradas pelos senhores ibéricos. Sequer há fontes históricas que fundamentem essa narrativa.

Não vou me estender nesta análise que parece óbvia dentro da academia. Contudo, deixarei alguns links para quem deseja se aprofundar neste tema que tem sido revisitado todo dia 20 de novembro (dia da consciência negra). Deixarei um excelente artigo escrito pelo historiador Rafael José Nogueira, na revista geledés e, também, dois vídeos do historiador Adriano Viarao da Silva, onde discute o tema e indica algumas referências bibliográficas interessantes.

Artigo de Rafael José Nogueira (Revista Geledés).
https://www.geledes.org.br/zumbi-e-o-revisionismo-nada-historico/

Vídeo 01 do professor Adriano Viaro da Silva:
https://www.youtube.com/watch?v=h6gs1-0MtjA&feature=youtu.be

Vídeo 02 do professor Adriano Viaro da Silva:
https://www.youtube.com/watch?v=qCKB8Q0Lig4

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domingo, 19 de novembro de 2017

Brazilian Horror Story: seitas virtuais de fanáticos políticos e religiosos aumentam violência nas ruas.






Duas amigas, na madrugada de São Paulo, entram em uma padaria da Rua Augusta para comer pizza. Durante a refeição, um grupo de homens entra no estabelecimento e se dirige a elas com interpelações sobre as eleições de 2018. Eles querem saber em qual candidato elas votariam num possível segundo turno entre Lula e Bolsonaro. Embora se sintam incomodadas com a interrupção do lanche, uma delas reponde para se livrar logo dos sujeitos incômodos. Afirma que, no caso apresentado, votaria em Lula. Nesse instante, um dos idiotas disfere um soco contra o rosto da menina que sofre um corte e fica sangrando. O soco foi simplesmente pelo fato dela dar uma resposta diferente da intenção de voto do agressor.

Casos semelhantes vêm se multiplicando pelo país a fora. Pelo andar dos acontecimentos, a eleição de 2018 poderá ser a mais violenta da história do país. Verdadeiras "seitas" políticas virtuais, principalmente no youtube, que também misturam discurso fundamentalista religioso, são um dos principais combustíveis dessa explosão de violência gratuita contra quem pensa de forma diferente. Estamos muito perto de viver um "brazilian horror story".

Nunca acompanhei o seriado "American Horror Story", que já está em sua sétima temporada. Porém, neste feriadão o canal da tv à cabo, onde passa este programa, fez uma espécie de maratona com os capítulos da última temporada. Passou toda a sequência, de uma só vez, no sábado. Apesar de não curtir e jamais ter acompanhado a série, como não tinha mesmo nada para fazer, resolvi ver os primeiros capítulos. Quando notei que a construção do personagem principal era muito semelhante com o modus operandi de alguns ativistas virtuais de extrema direita que andam pelas redes sociais, acabei assistindo quase todos os capítulos.

Nesta sétima temporada, o seriado trouxe uma história contextualizada pelo período eleitoral americano entre Donald Trump e Hillary Clinton, dialogando com a mobilização de movimentos feministas que se alavancaram durante este embate político. Os dois protagonistas são Ally (Sara Paulson) e Kai (Evan Peters). Ally é uma mulher lésbica que se esforça na construção da uma família junto à sua companheira e seu filho. Kai é um psicopata que consegue amealhar seguidores e projeção política com um raivoso discurso político conservador misturado com religião; além de praticar violência física e assassinatos cruéis contra seus opositores.

Logo de início, assistindo os primeiros capítulos, me espantou a identificação que senti entre a construção do personagem Kai e alguns ativistas políticos de extrema direita que atuam nas redes sociais, notadamente no youtube. A mesma fala raivosa e ódio no olhar quando se referem aos que pensam o mundo de forma diferente da deles. Alguns desses "youtubers" chegam a promover perseguições, no ambiente virtual, orientando seus "seguidores" a atacarem de forma vil as páginas e a honra dos seus desafetos ideológicos.  O Deputado Federal Jean Willys, por exemplo, é uma vítima rotineira deste tipo de ação. Para que esta violência ultrapasse da linha do virtual para as ruas basta um passo muito pequeno. E deixo logo claro que não sou eleitor do citado deputado, mas não posso concordar com a forma antidemocrática, antiética e violenta com que é combatido.

Há um desses "youtubers", então, que me lembra demais o personagem Kai. O camarada tem momentos que transmite a mesma raiva nas palavras e ódio no olhar que o protagonista do seriado. Da mesma forma, se apresenta como ativista ultraconservador e faz esta mistura explosiva entre o político e o religioso. Em seus vídeos, apresenta um emocional do tipo montanha russa, entremeando uma fala ora tranquila e ora raivosa ao extremo.Um profissional de psicologia facilmente poderia determinar um padrão de psicopatia. Porém, muito provavelmente o sujeito não seja tão doente. A maioria usa essa técnica de chocar e levar o ouvinte ao êxtase emocional para chamar atenção e somar inscritos para ganhar dinheiro com os vídeos. O falecido apresentador Alborguetti foi um dos precursores dessa técnica na nossa grande mídia. O problema é que este tipo de abordagem acaba agregando em torno de si todo tipo de perturbado mental, desde o cara violento e com problemas de controle de raiva até o psicopata mais perigoso.

É claro que este tipo de ativista irá dizer que nunca mandou os seguidores agredir ninguém fisicamente, Chegarão mesmo a dizer que são contra a violência. Contudo, a análise do discurso dessa gene mostra algo bem diverso. Eles costumam colocar que estão travando uma "guerra" contra os oponentes ideológicos. Habitualmente desconstroem e tentam desumanizar os contrários utilizando palavras como canalhas, lixo, nojentos, esquerdopatas, etc. A exposição continuada de pessoas mentalmente perturbadas ou com padrões morais e éticos deformados a este discurso, acaba os transformando em verdadeiras bombas-relógio na sociedade.

Agora, estes ativistas digitais da raiva e da intolerância estão montando "cursos" online. Não sei bem que cursos são estes. De história, filosofia ou sociologia que não é. Ademais, note-se que muito provavelmente a maioria deles sequer possuem um diploma de licenciatura para poder lecionar alguma dessas matérias. Desta forma, esses cursos mais parecem a formação de seitas. Pois o internauta que vê os vídeos no youtube e se diverte com as intempéries do orador é um coisa, mas o cara que decide gastar dinheiro do seu bolso para ter essas sessões exclusivas provavelmente é o sujeito fanatizado.

Muitos desses ativistas violentos também surgiram de um "curso" desses. A mãe desses cursos parece ter iniciado com um astrólogo brasileiro residente nos EUA. Esse curso formou a maioria desses ativistas doidos que andam pelas redes. Agora, estes também formarão seus cursos e seguidores, formando um esquema de pirâmide. O problema é que a criatura sempre acaba pior que o criador.  Esses youtubers raivosos são piores que o astrólogo que foi, assim digamos, o "paciente zero". Imagino como serão os novos líderes formados nesses novos "cursos". Vejo um horizonte muito sombrio à frente.

A formação de lideranças dessas seitas políticas conservadoras me lembra muito o modelo de messianismo que existiu no período da primeira república. Havia o beato (como conselheiro ou padre cícero) que agregava o povo ao seu redor. Desse grupo surgiam novas lideranças que saíam pregando pelos sertões, novos beatos, que juntavam mais gente e fundavam novas comunidades. Por exemplo, a formação da comunidade do caldeirão dos jesuítas se deu através de um beato que havia sido membro de uma ordem religiosa leiga ligada a Padre Cícero. Depois, da comunidade do caldeirão novos beatos se formaram e atravessaram do Ceará para a Bahia onde fundaram a comunidade de Pau-de-Colher.

No entanto, há uma enorme diferença entre aquelas comunidades da primeira república e as atuais seitas virtuais conservadoras. Enquanto a primeira reunia camponeses pobres em torno de uma liderança espiritual e num modelo de vida comunal para resistir à opressão no campo, a segunda reúne jovens de classe média, com pouquíssima capacidade crítica, com o objetivo de atacar as conquistas das minorias.

Artigo sobre a mulher que levou soco por declarar seu voto:
https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/discussao-sobre-politica-acaba-em-agressao-na-rua-augusta.ghtml 

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