quarta-feira, 4 de março de 2015

Lore: A Segunda Guerra sob a perspectiva do povo alemão.


A exibição de filmes tem sido um recurso cada vez mais usado, nos colégios e faculdades, para ilustrar e fomentar os debates sobre vários temas históricos.

Neste sentido, apresentamos ao leitor o filme "Lore", que é uma coprodução germânica e australiana, com excepcional direção de Cate Shortland, tendo áudio original em alemão com legendas em português, onde se retrata a segunda guerra mundial, mais especificamente o período de queda e invasão da Alemanha pelas forças aliadas.

Sobre este recorte histórico, o mais comum são as películas que retratam, cada vez com maior realismo, as batalhas, os feitos dos heróis de guerra e, ainda, o drama passado pelos judeus em todo este período.

Em outro sentido, "Lore" vem mostrar as consequências da guerra sob uma outra perspectiva, que é das famílias alemães que sofreram o drama da invasão de seus país e a desestruturação de suas vidas.

Lore é o nome da personagem protagonista na película. Trata-se da irmã mais velha de uma família cujos pais, que eram figuras ligadas ao partido nazista, são presos pelas forças de ocupação. Neste momento inicia-se a saga da jovem Lore, que sofrerá uma traumática mudança psicológica, de uma jovem ainda com estrutura infantil para alguém que irá se responsabilizar pela sobrevivência dos irmãos e cruzar o país destruído pela guerra para chegar até a casa dos avós no norte da Alemanha. Quando os obstáculos parecem quase que insuperáveis para a capacidade da jovem Lore, surge na trama um rapaz que se apresenta como judeu recém liberto de campo de concentração que a auxiliará no restante da jornada.

Através da jornada dos personagens são apresentadas várias questões daquele recorte, tais como a dificuldade de transitar numa Alemanha dividida em setores (americano, francês, russo) que posteriormente levariam à divisão entre Alemanha Ocidental e Oriental, o efeito da propaganda do partido nazista na população que desacreditava das informações que chegavam noticiando a barbárie dos campos de concentração, a animosidade entre aqueles que seguiam o nazismo de forma fanática e aqueles que apenas cumpriam ordens, a ruptura psíquica e ideológica que ocorre nas crianças e jovens que receberam educação nos colégios da Alemanha nazista em face da nova realidade que se apresentava, dentre outros aspectos.

É uma boa sugestão para alavancar o debate entre estudantes.






quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Qual a segunda graduação mais desejada pelos historiadores ?


Anteriormente, o aluno se formava na graduação e tinha direto grandes possibilidades no mercado de trabalho. Depois, começou a se exigir crescentemente que o profissional fosse pesquisador. Além da graduação seu currículo teria que ganhar peso com mestrado e doutorado. Agora, o mercado começa a sinalizar, também, com a realização de uma segunda graduação.

Então, fazemos as perguntas direcionadas aos alunos do curso de História:

Você gostaria de realizar uma segunda graduação ?
Qual outra graduação gostaria de tirar ?
Numa segunda graduação sua preferência de estudo seria na modalidade presencial ou EAD ?


Procura-se humor inteligente.





Atualmente a TV brasileira é um deserto em relação ao humor. E a televisão fechada, a cabo, não está diferente. Quem quiser rir terá que sintonizar o programa do Chaves, que é muitas vezes mais bem elaborado que os humorísticos nacionais.

Cresci num período, décadas de 70 e 80, quando vivíamos um momento áureo em relação ao humor, apesar de toda a repressão política imposta pelo regime ditatorial militar. Programas como "Balança mas não cai", "Planeta do homens", "Chico city" e "Viva o gordo" traziam uma plêiade de grandes atores que realizavam um humor inteligente e sofisticado. 

Aliás, para ser um humorista era necessário ser ator, um grande ator. Não bastava ser um garoto extrovertido e disposto a falar calão e todo tipo de constrangimentos diante de uma câmera. Paulo Gracindo e Brandão Filho protagonizavam um quadro (primo rico e primo pobre) que pode ser apresentado como o maior ícone daquele período da história do nosso humor. Certamente, Chico Anysio o artista com maior número de tipos aplaudidos por todas as faixas da população, seguido pelos não menos talentosos Jô soares e Agildo Ribeiro. Estes são apenas alguns dos muitos humoristas que poderíamos citar.

 Naquele tempo, os chamados "enlatados americanos" eram a sobra do resto dos programas de humor. Quando não havia nenhuma opção nacional o sujeito olhava os programas americanos. Hoje, a lógica inverteu. Não que os "enlatados" tenham melhorado muita coisa, pois continuam ruins. Porém, conseguem ser bem melhores que nossos programas.

Agora, o humorista não precisa ser ator. O perfil da maioria dos que trabalham nos modernos programas são de jovens "mauricinhos" que mais parecem saídos do elenco de "Malhação". Qualquer garoto extrovertido disposto a falar palavrões, constrangimentos, enfim, ser politicamente incorreto, se transforma em "grande humorista".

É um tempo de muitas crises. Crise hídrica, crise no futebol, crise na dramaturgia, crise no humor. 
Inclusive, a maior delas, a crise acadêmica.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Samba e psiquiatria






Já faz alguns anos que o Bloco carnavalesco "Tá pirando, pirado, pirou", formado por pacientes e funcionários do hospital psiquiátrico Dr. Philippe Pinel, na Urca, vem contribuindo para alegrar o carnaval de rua dos bairros da Urca e de Botafogo.

É mais um belo exemplo de que é integrando as pessoas que se consegue os melhores resultados. Em psiquiatria, vale dizer que o antigo método de se isolar o paciente em instituições, como os manicômios, não conseguia o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente. Ao contrário, a segregação provoca danos maiores e irreversíveis.

É na integração obtida pelo convívio social que o ser humano encontra sua plenitude e desenvolvimento.

Desta forma, nada mais auspicioso do que integrar os pacientes psiquiátricos à nossa maior festa popular. E não apenas como observadores, mas como protagonistas. 

Este ano, por exemplo, já lançaram o melhor samba disparado de todos os blocos que andam por aí. O refrão diz mais ou menos assim:

Tô tô tô
Tô no hospício
Tô melhorando
mas é muito sacrifício

Tô tô tô
Tô no hospício
Se me tirar
vou perder o benefício.
  
Provando definitivamente que nosso carnaval vai ser uma loucura !!!

 


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Quem vai ficar com Conca? A perda de identidade do futebol brasileiro.





O esporte foi um dos elementos bem utilizados para alavancar a integração e formação de identidade nacional no Brasil. Notadamente o futebol, como principal esporte praticado em solo pátrio, se transformou no momento mágico em que todos se unem para cantar o hino da seleção e dizer que é brasileiro "com muito orgulho".

Enquanto nações como os EUA utilizaram e ainda utilizam os conflitos bélicos para costurar a integração e sentido de identidade e soberania de seus cidadãos, no Brasil foram as épicas batalhas ocorridas dentro dos gramados que vem ajudando a forjar o sentimento de nacionalidade de boa parte da população, principalmente aquela mais carente que pouco retorno tem das autoridades.

Contudo, as décadas se passaram e o nosso futebol vive um período sem brilho, sem craques, sem clubes realmente grandes, sem dirigentes eficientes, sem técnicos de ponta e, por final, com muito pouca inteligência dentro e fora de campo.

Neste solo árido que se tornou nosso futebol, o que mais motiva os noticiários esportivos deste início de temporada são os destinos que tomarão os jogadores que que formam o espólio que era patrocinado pela Unimed no Fluminense.

Um deles em especial é a joia da coroa cobiçada por muita gente: Dario Conca. 

O que significa Dario Conca no futebol brasileiro? Significa a diferença entre um time rebaixado e um time que chegou em quinto lugar, quase conseguindo a vaga na libertadores. Em 2013, sem Conca, que estava na China, o Fluminense foi rebaixado para a segundona e só se manteve por conta da polêmica perda de pontos da Portuguesa e Flamengo. Por outro lado, em 2014 o time continuou o mesmo, somente acrescido de dois reforços: Walter e Conca. Contando que Walter pouco atuou como titular no brasileirão 2014, podemos dizer que quem fez a diferença foi o habilidoso jogador argentino.

O Conca além de habilidoso é inteligente. Sabe dar a melhor solução para cada jogada. Sempre faz um passe objetivo ou um drible com intenção de levar o time para frente. 

Mesmo assim, Conca não é nenhum superastro do futebol. Na própria Argentina nunca foi cogitado para participar da formação da seleção principal. Porém, no futebol brasileiro joga o suficiente para tirar um time da 18ª posição em 2013 para a 5ª posição na tábua de classificação em 2014.

E a presença de estrangeiros como principais jogadores e ídolos de nossos times tem sido a tendência. No Internacional, D'Alessandro é o grande articulador do meio-campo. No Botafogo, a o maior ídolo recente aínda é o uruguaio Loco Abreu. No Corínthians foi Tevez. Em um recente Cruzeiro o cérebro era Montillo e por aí vai.

Talvez isso se deva a uma recente geração de craques que não gostava de treinar e se orgulhavam disso, como Romário e outros. Os caras não gostavam de trabalhar mas resolviam dentro de campo e isso fez muito mal ao futebol brasileiro. Hoje temos os Fredis da vida que acham que são sumidades do futebol e podem jogar estáticos durante a partida.

Aliás, o Fred é um investimento que vai morrer na mão do antigo patrocinador do plano de saúde. Alguém vai pagar quase 1 milhão mensal para ter um atacante que não sabe driblar e não ganha na corrida do mais lerdo zagueiro?

Eu, como torcedor do verdadeiro tricolor desde o berço, pois como dizia Nelson Rodrigues os outros são apenas times de três cores, torço para que o Conca continue brindando as laranjeiras com sua habilidade e visão de jogo. E o argumento da antiga patrocinadora de que não é justo pagar o salário do jogador até o final do contrato sem ter sua marca estampada na camisa do clube não procede. Se fizer uma auditoria séria, ficará comprovado que os dividendos do patrocínio de 15 anos da antiga patrocinadora ainda dará lucro por muito tempo. Por um largo período, qualquer busca com o nome do clube na internet ainda trará imagens com a antiga camisa, boa parte da torcida ainda exibirá nas ruas a antiga camisa, ainda hoje as lojas estão vendendo a camisa antiga. Isso na ponta do lápis ainda renderá frutos ao antigo patrocinador para lá do contrato que ele tem com os atuais jogadores.

Por fim, pelo bem do futebol brasileiro devemos fazer coro com o que muitos estão dizendo:
Ou muda a  mentalidade de nossos jogadores, técnicos e dirigentes ou o futebol brasileiro acaba.


domingo, 11 de janeiro de 2015

Quem ria do conteúdo da charlie Hebdo?


Dentre os muitos textos que estão circulando pela rede a respeito do atentado ao jornal francês, encontramos uma reflexão muito interessante da professora Daniela Mussi, que é mestre e doutora em ciência política pela UNICAMP e, também, graduada em ciências sociais e comunicação social.

A citada autora faz uma análise sobre o riso e o humor a partir da obra do filósofo Henri Bergson. Posteriormente, contextualiza o trabalho humorístico da revista Charlie Hebdo.

Separamos um trecho do seu texto que recebemos através do blog Convergência:

"

O humor contra os poderosos
Se retomamos as ideias de Bergson a respeito do riso, podemos facilmente justificar o “humor” de Charlie Hebdo. Ele se insere em uma tradição bastante específica, fortemente libertária e erudita, em busca incessante por um ambiente no qual todo riso possa ser possível. Porém, como notara Bergson, o riso não pode ser “todo riso”, já que é nunca “infinito” (idem, p. 7). Ele se insere em um ambiente circular, limitado pelo público para o qual se direcionava. O riso funciona como um eco, reverberado em uma plateia precisa. Justamente por isso, em termos sociais sua função é sempre diferencial, conflitiva.

O que ecoava a revista Charlie Hebdo? Quem ria de seu conteúdo? Quem não ria? E por que? Boas respostas a estes problemas precisam evidenciar contradições, já que o riso não é senão o sintoma “humano”, como notou Bergson, da conformação estratificada dos grupos sociais. O riso/falta de riso de Charlie não divide a sociedade em “dois”, como pensam alguns, mas revela uma série de cisões e sobreposições sociais, culturais e políticas, inclusive aquelas pertinente aos seus colaboradores.

O assassinato da quase totalidade de sua atual equipe de redação no último dia 7 de janeiro é um momento trágico da profunda crise vivida pelos países europeus e, de certa forma, por todos os países capitalistas. Uma crise que revela o real racismo, a islamofobia e o antissemitismo como armas de Estado contra o povo em todos estes países. Em nome de Charlie, os governos francês espanhol, alemão, italiano e britânico se reunirão hoje ao representante do Estado racista de Israel, que há menos de um ano implementou uma das maiores carnificinas da história da Palestina. Em nome de Charlie, todos os jornais falam em antissemitismo, mas não em islamofobia. Em nome de Charlie, os chefes de Estado europeus podem reivindicar para si a bandeira da liberdade, com a qual nunca realmente se comprometeram, seja com os imigrantes, seja diante das massas trabalhadoras que há anos pagam com seus direitos por uma crise que não é sua.

O governo francês, combinado à grande mídia e ao policiamento massivo, buscam, desde o dia dos ataques, um uníssono argumento no qual as “emoções” derrotam a inteligência e convertem a morte de Charlie em um espetáculo melodramático macabro. Para que o riso vingue a morte, o humor deverá novamente voltar-se contra os poderosos e a sátira política reencontrar seus verdadeiros inimigos: Hollande, Le Pen, Merkel, Rajoy, Cameron, Netanyahu e Abbas."

Quem desejar ler o artigo completo poderá acessar no endereço:
http://blogconvergencia.org/blogconvergencia/?p=2796

Em Baga não houve caminhada dos líderes políticos mundiais pela paz





Na França, após o ataque ao jornal Charlie Hebdo, onde morreram 12 pessoas. ocorreu uma grande passeata pela paz que contou com a presença dos principais líderes políticos ocidentais.

Por outro lado, na Nigéria a cidade de Baga foi alvo de uma invasão de um grupo islamita radical onde ocorreu a morte de mais de 12.000 pessoas, entre elas mulheres e crianças, e a cidade foi incendiada. Muitos habitantes que fugiram da cidade ainda são perseguidos pelos radicais. As ações radicais na Nigéria já duram cerca de cinco anos com mais de 10.000 mortos apenas em 2014.




Apesar da dimensão muito maior da carnificina em Baga, não vimos nenhum importante líder ocidental ir até a Nigéria realizar passeata pela paz.

Cada qual se comove apenas pelo seu vizinho. Países europeus e ocidentais se mostram prontos a ajudar os coirmãos. Por outro lado, os países periféricos, orientais e, principalmente, africanos que tanto contribuíram com a riqueza do ocidente no período neocolonial e ainda hoje, não são carecedores da tanta atenção.

Enquanto houver desigualdade de toda ordem, inclusive de tratamento, dificilmente teremos paz.