domingo, 27 de outubro de 2019

Os católicos que odeiam o Papa.



Pode soar estranho, mas tem crescido o ataque de setores católicos ao Papa Francisco. No Brasil, este fenômeno tem atingido o seu auge durante o sínodo da Amazônia. São católicos leigos e até sacerdotes que lançam todo tipo de ataque ao santo padre, chamando-no de herege à comunista !

Em relação ao sínodo, o principal cavalo de batalha tem sido a proposta de se autorizar a ordenação de homens casados, notadamente de origem indígena, para ministrar o ofício da Igreja naquela região.

Contudo, os problemas de Francisco com a ala mais conservadora da Igreja vem desde o início de seu apostolado. Pelo fato de adotar posições mais progressistas em diversos temas. Os frequentes discursos chamando a atenção para as questões sociais e ambientais também não são bem vistos pela ala conservadora que se alinha, politicamente, ao neoliberalismo radical.

Por essas e por outras o Papa Francisco tem sido visto como comunista aos olhos dessa gente. Afinal, para estes radicais de extrema direita, tudo que se afasta das pautas do estado mínimo do mínimo é tachado de comunismo.

Um famoso comentarista da televisão e do rádio, por exemplo, em um dos seus muitos vídeos a disposição no youtube se diz católico mas que o Papa atual não o representa. Justificando que o Papa teria "atacado" o capitalismo. O que é coisa de comunista para o citado comentarista. Contudo, onde no Novo Testamento pode-se depreender que Cristo fosse capitalista? Mesmo porque os conceitos e modelos econômicos conhecidos hoje como capitalismo e comunismo ainda sequer estavam em gestação. Porém, podemos afirmar que toda a narrativa dos ensinamentos de Cristo evidencia a preocupação com uma vida mais comunitária e de atenção às questões sociais.

Isto denota como as instituições não são uníssonas nem monolíticas. São fragmentadas e apresentando muitas tensões nos arranjos internos. Na Igreja católica há desde os conservadores extremos, os super progressistas da teologia da libertação e um tanto número de grupos mais moderados flutuando entre ambos. Porém, note-se que quase sempre prevalecendo os grupos conservadores, como no caso da opus dei

Como não se esquecer do clima beligerante sempre que uma autoridade papal fala em auditar as contas do banco do Vaticano.

O fenômeno se repete em outras searas. Entre evangélicos vemos diversos espectros que vão desde os conservadores da teologia da prosperidade àqueles com agenda progressista da teologia da missão integral. O próprio exército, que a priori pode parecer uma instituição de pensamento único, mostrou o combate interno entre correntes diversas através da história. Lembremos das diversas insurreições tenentistas na primeira república e as tensões em torno do AI-5 no regime militar.

De qualquer modo, é sempre estranho ver religiosos atacando sua máxima liderança espiritual. Faz pensar se essas pessoas têm realmente uma relação espiritual com a instituição ou se apenas se servem dela como um instrumento político. Observando que, na tradição da Igreja, o Papa é escolhido e guiado pelo próprio Espírito Santo de Deus.

Não é de se espantar que Cristo acabou pregado no madeiro !

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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Bolsonaro implode o neoliberalismo por onde passa !!!


É curioso mas o Jair Bolsonaro está conseguindo fazer o que a esquerda sempre tentou e não obteve muito êxito.

Pois senão vejamos:

Ele disse que adorava o Netanyahu e o mesmo teve que renunciar por conta de diversas acusações.

Apoiou o Macri e os peronistas voltarão na Argentina.

Esteve no Chile e festejou a ditadura de Pinochet. O povo reagiu nas ruas.

Disse que ama o Trump, mas o impeachment se acelerou.

Estou achando que o presidente é o verdadeiro Coringa !
Bolsoringa !!!



Escola para formar patrão e escola para formar empregado.



Começaram denúncias de abusos no modelo de escolas públicas militarizadas implementadas pelo atual governo federal. O caso gira em torno de possíveis abusos em revistas feitas nas alunas que acessam as dependências escolares. Fato, que se for verídico, é de grande reprovação. Porém, o problema deste modelo é estrutural.

Acontece que, junto com os militares dentro da escola, estão defendendo uma pedagogia ultrapassada de viés tradicional e tecnicista. Alunos enfileirados, repetições, abordagem não individualizada, foco em decoreba de conteúdos ao revés do desenvolvimento crítico e da criatividade. 

Por outro lado, demonizam o método construtivista fazendo a população acreditar que método de ensino e aprendizagem tenha relação direta com a futura opção política que o aluno irá seguir.

No programa radiofônico "a voz do Brasil" o governo anuncia que a disciplina e o respeito ao professor são as bases pedagógicas do novo pensamento do MEC. Ocorre que os casos de violência contra professores não têm relação com método de ensino mas com problemas e descasos que se acumulam no ensino público. Principalmente, falta de investimentos em modernização da escola, na contratação de pessoal de apoio, na estrutura básica de funcionamento (como banheiros, etc), no incentivo ao professor, entre muitos mais. Além dos graves problemas sociais e econômicos que fazem parte da realidade dos alunos e suas famílias.

Desta forma, o resultado é que usam desse estratagema para se fazer um apartheid educacional no país. O aluno proveniente de famílias ricas e da classe média alta irá estudar numa escola particular cujo programa educacional pretende incentivar a autonomia e criatividade dos alunos. Desenvolver a capacidade crítica e de inovação. Por outro lado, o aluno da escola pública será trabalhado de forma bitolada, com muitas continências e gritos de "sim, senhor". Essa oposição na formação tende a fazer uma diferença gigantesca entre os dois grupos de alunos no futuro.

Um deles terá as ferramentas e o estrutura mental para realizar o verdadeiro "empreendedorismo". Serão aqueles com a capacidade de "pensar fora da caixa", expressão muito usada pelos ceo's de empresas. O outro grupo, por outro lado, será forjado à medida para serem cumpridores de ordens.

Um modelo irá formar a nova classe dirigente e empresarial. O outro, a massa de empregados.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O Coringa e a didática construtivista.



O filme do Coringa, protagonizado pelo ator Joaquin Phoenix, tem dado o que falar por conta da dialética proposta entre a estória do vilão das hq's e a realidade socioeconômica a que o mundo está submetido.

O personagem proposto nesta película não tem lado político e ideológico. Porém, sua explosão de violência, no filme, está referendada na realidade que nos rodeia. Tanto diretor quanto roteirista tiveram o mérito de tirar o personagem do mundo ficcional de Gotham e transplantá-lo para nossa realidade. Uma realidade que, por trás da ilusão do shopping center, não tem nada de bonita, sendo mais sombria que os becos escuros vigiados pelo herói mascarado.

Confesso que não tenho muita paciência para filmes de super-heróis. Venho há algum tempo maldizendo a Marvel pela enxurrada de quadrinhos que estão indo para a tela do cinema. Com meio século de vida, sou do tempo que super-heróis era algo que ficava restrito à infância. Quando entrávamos na adolescência brigávamos com a avó quando vinha nos dar uma roupa, no aniversário, com o homem aranha estampado. E bradávamos: - poxa, vó, tá pensando que ainda sou criança !?

Contudo, o Coringa é a prova que de um limão se pode fazer uma limonada. Apanhar um personagem despretensioso de quadrinhos e, através dele, fomentar um grande debate sobre temas urgentes e relevantes.

Aliás, isto tem muita relação com o método construtivista de ensino. Aproveitar o acervo cultural da classe de alunos como fio condutor para a produção de conhecimento. Neste sentido, o filme traz um exemplo prático para o magistério.

Concluindo: continuamos aprendendo com o cinema.

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sábado, 7 de julho de 2018

Quem irá fazer o gol quando o melhor atacante é quem cobra o escanteio ?






Uma postagem nas redes sociais delimitou muito bem o dilema nacional. O que é perder uma copa para quem já perdeu a Embraer, a Vale, a CSN, o pré-sal, a base de Alcântara, os direitos trabalhistas, entre outros ?

De todas as perdas que o brasileiro sofreu e vem sofrendo, parece que a perda de bom senso e inteligência é a pior de todas. Tenho visto os novos ideais econômicos empurrar um bom número de idosos da classe média a deixarem seus planos de saúde por conta dos reajustes exorbitantes. É tudo pelo mercado e nada pelo social !

Até na seleção brasileira a falta de inteligência tem feito estragos incontornáveis!!!

Um deles, por exemplo, é colocar o nosso melhor finalizador e driblador lá na bandeirinha de corner na hora de cobrar o escanteio ! Qual a inteligência por detrás da ideia de se retirar da proximidade da área o nosso melhor atacante quando a bola será pingada nela? 

Alguém poderá dizer que o Neymar é franzino e não consegue disputar  a bola com os zagueiros. Mas e o pânico que o Neymar leva à zaga só pelo fato de estar dentro da área? Então, que deixe o Neymar numa espécie de sobra da bola disputada pelos grandalhões. Ele poderá finalizar a sobra de bola ou, ainda, realizar uma jogada dentro da área que leve ao pênalti !  Agora, colocar o melhor atacante para bater escanteio é algo que nunca vi na minha vida de meio século de torcedor tricolor. 

Não nos esqueçamos que até o Romário fez gol de cabeça em jogo de copa do mundo !!!

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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Os grandes hospitais privados e a desumanização na prática da medicina.


Há tempos que sabemos da crise de humanidade nos mais diversos setores de atendimento à sociedade. Porém, só quando passamos por uma situação dessas que conseguimos avaliar com profundidade o tamanho do buraco em que nos encontramos. A seguir, irei narrar fatos que vivenciei ao acompanhar o caso de um paciente em um grande hospital particular na cidade do Rio de Janeiro.

Primeiro, cabe um breve histórico médico para entender o desenrolar que seguiu. O paciente, que conta 84 anos de idade, começou a sentir inapetência e desconforto abdominal há cerca de dois meses. Procurou um gastro que pediu uma ultrassonografia abdominal total. A ultrassonografia sugeriu algum problema em um dos órgãos do aparelho digestório. Por isso, o médico solicitou novo exame mais sofisticado. Porém,. antes da realização deste exame houve uma piora no quadro e o paciente procurou um posto de atendimento de urgência mantido por seu plano de saúde. Foi feito um exame de sangue, mas o paciente também necessitava de uma tomografia. O tomógrafo do posto de atendimento estava quebrado e o paciente foi enviado para uma pequena clínica particular em bairro próximo. Nesta clínica, foi feita a tomografia e a médica que atendeu o caso solicitou a internação do mesmo. O paciente, no entanto, preferiu assinar um termo de responsabilidade e se retirou para posteriormente ir a um hospital maior e mais bem equipado que era conveniado ao seu plano de saúde e próximo à sua residência.

No início da tarde do dia seguinte o paciente se apresentou ao atendimento de emergência do citado grande hospital privado, que constava da rede credenciada ao seu plano de saúde e ficava próximo de sua casa.

Na emergência, o médico confirmou a necessidade de internação. O médico solicitou que os 3 exames, ainda que tivessem sido realizados no dia anterior, fossem repetidos neste hospital: exame de sangue, ultrassom e tomografia. Explicou que era necessário repetir os exames para fundamentar a internação naquele hospital. Achei um tanto estranha a alegação. Repetir três exames que haviam sido realizados uma dia atrás não me parecia um procedimento de interesse médico. Talvez, uma forma de receber maior repasse do plano de saúde. Porém, sequer discutimos sobre isso com o médico e aceitamos refazer os exames. Nessas horas, o importante é que a pessoa seja logo internada para dar início ao tratamento médico. Feitos os exames, o paciente foi levado para uma outra enfermaria onde aguardaria a internação deitado em uma maca. Fomos informados que ficaríamos aguardando ali até o quarto estar pronto.

Ocorre que as horas foram passando - tarde, noite e madrugada - e nada da internação ser efetivada. Num dado momento, fui orientado a procurar o departamento de internação para saber a respeito. Lá chegando, fui informado pela atendente que o hospital se encontrava lotado e sem previsão de haver a vacância de algum leito. Então, me informaram que provavelmente teriam que transferir o paciente para algum outro hospital. Uma notícia que não foi bem recebida por nós, que procuramos aquele hospital, justamente, por conta do seu nome, sua estrutura e sua proximidade em relação à residência do paciente e sua família. Neste momento, a atendente faz algumas colocações que funcionam como um verdadeiro terrorismo junto ao paciente e seus familiares. Disse que não havia vagas e dificilmente haveria alguma no dia que amanhecia. Disse que o plano de saúde não cobriria dois dias seguidos no setor de emergência e que se o paciente não aceitasse uma transferência para outro hospital, em qualquer outro lugar da cidade, teria que arcar do seu bolso com sua permanência na enfermaria da emergência.

Neste momento, fui tomado por um sentimento de indignação ao perceber que repetiram todos os exames e não se comprometiam com a internação. Ora, se não havia leitos disponíveis porque expuseram o paciente a mais cargas de raios-X desnecessariamente ?  Para mim, estava claro que havia uma forte fumaça de má-fé nisto tudo. O hospital se exime da má-fé dizendo que o setor de urgência e o de internação são diferentes. Assim, a emergência não sabia da falta de vagas. Contudo, é uma falta de comunicação e articulação entre departamentos que vem muito bem a calhar para o hospital ganhar dinheiro em cima de exames desnecessários sem se responsabilizar com o tratamento.

Durante este processo, uma moça da enfermagem que acompanhou o problema nos confidenciou algo ainda mais revoltante. Disse que o hospital é grande e sempre tem altas todos os dias. Que a questão da transferência é por conta dos reembolsos realizados pelos planos de saúde. Que o hospital dá preferência a internar clientes de determinados planos que pagam valores maiores e por isso seguram a vaga para estes, enquanto transferem os usuários dos outros planos, ainda que credenciados ao hospital. Ou seja, uma pessoa idosa com um problema que requer internação urgente não tem qualquer prioridade, nem mesmo uma outra pessoa com um problema muito sério; a prioridade é conforme o plano de saúde.

Para piorar, durante todas as longas horas que ficamos naquele lugar (somente fomos transferidos na manhã do dia seguinte), o paciente ficou deitado numa maca sem receber qualquer hidratação por soro ou água e nem qualquer alimentação. Ou seja, ganharam todo dinheiro que puderam com exames desnecessários e não pretendiam gastar nada no atendimento. Somente na madrugada, depois de já estar indignado com tudo, reclamei do tratamento dispensado e aí apareceram com soro e um potinho minúsculo com um tipo de geleia dentro sob pretexto que era alimentação.

Em suma, esses hospitais não merecem receber este nome, pois não passam de entrepostos comerciais que buscam se locupletar com o sofrimento alheio.

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terça-feira, 29 de maio de 2018

Os Nazistas que roubavam livros.





A sabedoria popular também se expressa, de forma sintética, através dos chamados ditos populares. Dentre eles, um dos mais famosos é aquele que estabelece que "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão". Se este ditado possuísse valor jurídico, então, a personagem Liesel Meminger, protagonista do filme "a menina que roubava livros", estaria completamente perdoada pelos furtos de livros que cometia. Uma vez que as bibliotecas alemãs, durante o período nazista, foram abastecidas com milhares de livros roubados de bibliotecas particulares pertencentes a judeus, maçons e outros grupos perseguidos pelo regime.

EM CONSTRUÇÃO