sexta-feira, 12 de maio de 2017

A herança do professor Antônio Cândido.





Morreu, aos 98 anos de idade, o professor Antônio Cândido de Mello e Souza, que foi um dos grandes pensadores da academia brasileira. Era crítico literário, profundo conhecedor da literatura brasileira e internacional, e formado em sociologia. Teve brilhante carreira na cátedra universitária da Universidade de São Paulo.

O país vai ficando empobrecido com a saída de cena de nomes de peso como Darcy Ribeiro e o professor Antônio Cândido. No entanto, ainda resistem bravamente o ex presidente e imortal José Sarney com sua obra "Marimbondos de Fogo" e o atual presidente Michel Temer com seu "Elementos de Direito Constitucional". 

Há homens que deixam uma herança pera seus parentes e há outros que a deixam para toda a nação. Certamente, o professor Antônio Cândido está neste segundo time. Sua vasta obra será referência eternamente para explicar o Brasil e os brasileiros. Além de nos deixar sua filha, a historiadora Laura de Mello e souza, que também nos brinda com excelentes obras.

O citado mestre elaborou pesquisas e cunhou termos e explicações importantes para a sociologia e apropriadas, também, pelos historiadores.

Para explicar as especificidades e as contradições entre a cultura do campo e das cidades, no Brasil, o professor cunhou o termo "rústico" para designar a cultura do homem do campo. Entendia que na área rural houve maior integração entre a cultura do colonizador português com a cultura do índio e dos escravos africanos. Por outro lado, nas áreas urbanas, notadamente no litoral, o eurocentrismo era mais aflorado e acabou afastando as culturas nativas (indígenas) do dia-a-dia da sociedade.As populações dos grandes centros aspiravam ao modo de vida europeu. Pesquisadores posteriores se valeram dessa conceituação para criar expressões como catolicismo rústico e messianismo rústico.

A seguir, vamos compartilhar o link de algumas obras do acervo do professor Antônio Cândido disponíveis em pdf:

- Formação da Literatura Brasileira : 

- Literatura e Sociedade:

Link dos pdf´s gentilmente indicados pelo colega Maxwell Medeiros, que é um dos administradores do grupo Livros grátis do curso de história, no facebook

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Especialista da mídia diz que análise gestual de Lula atesta contradições. O próximo especialista será em leitura da aura!






Chega a ser divertido, para não dizer trágico para nosso país, a maneira como parte da grande mídia tenta criminalizar de qualquer jeito o ex presidente Lula. Se não der pelas vias normais, arruma-se uma narrativa alternativa qualquer para fazê-lo.

É senso comum, principalmente no meio jurídico, que o ex presidente Lula passou com tranquilidade e normalidade pelo interrogatório prestado à justiça federal em Curitiba. Que nada de substancial ficou comprovado.

Uma vez que nada de concreto foi demonstrado contra o ex presidente além do disse-me-disse de delatores interessados em acordos para atenuarem suas penas, agora a imprensa vem recorrendo a especialistas alternativos, e não juristas, para comprovar uma suposta demonstração de culpabilidade de Lula durante o interrogatório.

Hoje, no título de matéria veiculada por site de um grande conglomerado jornalístico, vem as posições de um especialista em análise corporal para dizer que, se por um lado as respostas do depoente foram tranquilas, por outro lado o seu gestual demonstrou contradições e raiva Só que vimos um depoimento bem tranquilo. Inclusive por ter sido muito longo, mais de 4 horas, e o depoente ter idade avançada.

Deveria existir o prêmio óleo de peroba para ser dado a algumas matérias jornalísticas.

Muito provavelmente, se da próxima vez o interrogado além de responder com tranquilidade também ficar estático como um robô, poderão tirar da manga do paletó um especialista caboclo da tenda espírita para atestar que pela cor da aura do interrogado ele é culpado !!!

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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Exército americano na Amazônia brasileira e o perigo do aumento das tensões no continente.






O atual governo brasileiro abre um precedente histórico ao deixar que forças estrangeiras, dos EUA, desembarquem na Amazônia brasileira, próximo à fronteira com a Venezuela, para realizar um série de exercícios militares que não sabemos bem quais os objetivos.

Os americanos que possuem uma ficha de influenciar em turbulências e quedas de governo em toda região da América do Sul e Central serão uma presença incômoda e, até, ameaçadora ao país vizinho que vive momento de conturbação política.

E se houver qualquer ação mais dura contra os venezuelanos, por parte dos Estados Unidos, o Brasil poderá ser arrastado juntamente para uma guerra indesejável e sem qualquer utilidade para os brasileiros.

O candidato Ciro Gomes esteve em encontro na UERJ falando sobre o tema.
Assista no link abaixo:

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O depoimento e as pegadinhas da televisão.





O personagem "B" foi depor sobre a suposta propriedade de um vaso de plantas:

- Personagem A: O Senhor foi até a loja para comprar o vaso?

- Personagem B: Fui, vi o vaso, não gostei e, por isso, não comprei.

- Personagem A: Foi o senhor quem pediu para encherem o vaso com terra adubada?

- Personagem B: Eu repito, o vaso não é meu.

- Personagem A: Então, quem foi que mandou colocar a terra?

- Personagem B: Não sei. Talvez seja melhor perguntar ao dono da loja.

- Personagem A: Foi o senhor quem escolheu a semente plantada na terra do vaso?

- Personagem B: Que semente? Em qual vaso ?

- Personagem A: Foi pelo fato de não gostar da planta que brotou que o senhor se desfez do vaso?

- Personagem B: O vaso nunca foi meu.

- Personagem A: Depois, o vaso foi pintado de branco a seu pedido?

- Personagem B: Desconheço quem pediu.

- Personagem A: O fulano em mensagem de texto ao beltrano disse que o senhor regava o vaso?

- Personagem B: Não posso me responsabilizar sobre o que terceiros escrevem. Não procede.

- Personagem A: Mas o senhor conhece e se encontrou com fulano várias vezes?

- Personagem B: Conheço. Nos encontramos.

- Personagem A: Ora, então o senhor foi conversar sobre o vaso ? 

Um desavisado pode achar que é pegadinha do Malandro !!!

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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Setores evangélicos contra a lei da imigração. Medo de futura concorrência islâmica ?





Temos visto alguns religiosos e parlamentares da chamada bancada evangélica se posicionando contra a nova lei da imigração. Nesses dias, em um jornaleiro, vi na capa de um tabloide evangélico o título em letras grandes de uma matéria atacando a referida lei. 

Essas manifestações seriam um tanto contraditórias visto que o discurso religioso deveria se pautar por uma orientação inclusiva. Ao menos, esse parece ser um dos grandes ensinamentos cristãos que podemos interpretar das páginas do novo testamento. Por isso, há um estranhamento nessa súbita onda xenófoba em razão da possível chegada de refugiados das zonas de guerra atuais. Aliás, a guerra também é algo que deveria ser condenado pelos religiosos. Assim como a liberação de armas de fogo para a população em geral.

Talvez, a explicação se encontre mais em fundamentos de mercado do que de fé. Ocorre que muitas igrejas cresceram alimentando um tipo de religiosidade que podemos chamar de fundamentalista. Quando se colocam como donos de uma verdade e de um julgamento divino. Onde o outro é tido como ímpio, não salvo, e o irmão de fé como salvo e ungido de Deus. Essa postura de classificar e julgar as pessoas de outros grupos leva à mentalidade fundamentalista.

Inclusive, num discurso contra a lei de imigração, já adiantaram que um ato terrorista teria acontecido no Brasil quando um rapaz de origem árabe teria jogado algo em manifestantes conservadores em São Paulo. Ora, se formos condenar todo um grupo por conta da atuação e um ou alguns não sobraria ninguém no país. Lembremos do incidente em que pessoas ligadas a igrejas atacaram uma menina que trajava roupas de candomblé e outros grupos que invadiram e destruíram vários terreiros. Isso também poderia ser considerado terrorismo.

Com a chegada dos refugiados de origem islâmica o 'mercado" da fé no país ganharia um concorrente. O crescimento de grupos islamizados poderia competir pelos corações e mentes do brasileiro comum. E aquele grupos islâmicos que também possuem essa visão fundamentalista já teriam um terreno bem pavimentado por essas igrejas cristãs que adotam essa postura.

Diga-se, no entanto, que isso se refere somente a uma parte dos evangélicos. Pois existem muitas igrejas sérias e que trabalham uma religiosidade sadia, inclusiva e que visa a evolução do espírito e do caráter humano. Destaco, especialmente, os que seguem a teologia da missão integral, dentre outros.

É curioso que não houve condenação da proposta do governo em alterar a lei sobre estrangeiros que desejem comprar grandes propriedades em terras no Brasil. 

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terça-feira, 9 de maio de 2017

O supositório de maconha e o conflito de narrativas.





Durante a maior parte da vida sempre acreditei piamente nas narrativas oficiais, da grande mídia e dos figurões acadêmicos. Atualmente, no entanto, a dúvida tornou-se constante em relação a quase todas as posições vindas do senso comum institucional.

Nunca tive dúvidas sobre os terríveis malefícios gerados por plantas como a maconha. Embora  sempre tenha me sentido muito bem com o chazinho de boldo que a avó fazia quando sofria com problemas digestivos. Em relação ao cigarros, seja de maconha ou qualquer outro vendido legalmente no mercado, sempre mantive grande distância por conta de problemas respiratórios desde a infância. Nunca gostei de fumaça de qualquer tipo.

Contudo, nos últimos anos a cannabis sativa vem sendo redimida após um série de pesquisas que demonstram sua larga utilidade medicinal. Noutro dia, li um artigo sobre freiras que cultivavam a planta para uso medicinal. Também é conhecido o uso do cigarro da planta para amenizar as crises de pacientes com dores fortes e crônicas, como aqueles com câncer. Até o glaucoma já é beneficiado pela planta demonizada por tanto tempo. A última notícia que vem tomando as redes é a fabricação de um supositório vaginal feito com a erva que acaba com as dores da menstruação.

Diante de narrativas que vêm mudando através dos tempos, fica a dúvida se o discurso anterior era tão violento contra a planta por ser cultivada por pequenos agricultores em regiões pobres da América do Sul e, agora, que a planta foi apropriada pelas grandes indústrias farmacêuticas, muda-se o tom da fala. Inclusive, a planta recebeu nomes e siglas próprias do vocabulário farmacêutico, como TCH, dando um ar de credibilidade. Ser "maconheiro" é uma coisa, usuário de TCH outra !

É uma tarefa difícil detectar a sinceridade nestes dias. Melhor consultar o ervanário, se é que eles ainda existem !!!

O que significa o termo "lawfare" ?






Lawfare é um termo jurídico em inglês formado pela junção de duas palavras: law que significa lei e warfare que significa guerra. Através da palavra formada nasce o conceito de guerra jurídica. Desta forma, representa o uso das instituições jurídicas, notadamente o processo legal, com a finalidade de realizar perseguição a um adversário.

O uso de sucessivas acusações frívolas, sem que haja conteúdo probatório robusto, combinado com vazamentos seletivos e constantes para a imprensa, que usa esse material para causar danos à imagem de uma pessoa constitui o chamado lawfare.

Valendo-se da etimologia da palavra, se dá pela caracterização de uma pessoa como inimiga. Daí em diante o processo judicial é utilizado como arma de guerra contra o desafeto e não mais no sentido da busca de uma verdade real ou de fazer justiça.

No plano político, há a manipulação das leis processuais para causar um dano ao capital político de um adversário.  Sucessivos e intermináveis processos combinados com ação midiática são feitos para descredibilizar o oponente junto à opinião pública.  Há a judicialização da política com a finalidade de gerar desilusão popular.

Hoje, no Brasil,  o maior líder político popular da história do país poderá ser impedido de concorrer nas próximas eleições presidenciais. A defesa de Lula afirma que se trata de lawfare.

Se após alguns anos ficar consubstanciado que houve o uso de lawfare contra Lula, penso como seria difícil avaliar uma reparação por danos morais neste caso. Uma pessoa que no plano nacional supostamente perde seu capital político por conta de processos sem a devida fundamentação. Que até pode perder seus direitos políticos. E sendo uma figura pública internacional, também tem sua imagem atingida pela mídia mundial. Como "precificar" essa perda? Acredito que não haveria como o Estado reparar este dano!

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