segunda-feira, 8 de maio de 2017

O mundo transformado pelas revoluções. Acabou a era das revoluções ?






O termo revolução foi um conceito cunhado, de início, pela astronomia e que depois migrou para explicar fenômenos sociais e políticos. Originalmente, revolução se referia aos movimentos dos corpos celestes no firmamento. Posteriormente, o termo passa a ser utilizado nos campos político e social, mas com mudança de sentido através do tempo. 

No prisma político e social, o termo revolução iniciou explicando eventos que após acontecerem tendiam a um retorno ao ponto inicial. Ou seja, após um breve momento de perturbação na ordem social ocorria uma distensão e o retorno ao estado anterior. Por exemplo, a revolução inglesa de 1688 foi marcada pela eclosão de uma guerra civil que termina com a restauração da monarquia, sendo o retorno ao status quo anterior. Posteriormente, o termo revolução muda novamente seu sentido, passando a conceituar aqueles eventos onde se dá uma modificação da ordem econômica e social sem que se apresente o retorno ao estado anterior. Ou seja, com efeitos permanentes e inaugurando uma nova configuração política. A revolução americana de 1776 e a revolução francesa em 1789 são exemplos clássicos desta nova semântica do vocábulo.

As revoluções liberais se deram durante o correr do século XIX.  A independência das treze colônias inglesas na América e os demais movimentos emancipatórios nela inspirados possuíam o objetivo precípuo de derrubar o instituto do pacto colonial. Acontece que uma burguesia comercial que se formou nestes territórios coloniais ansiava por se libertar dos entraves impostos pelo regime do exclusivo colonial, que forçava uma balança comercial altamente favorável à metrópole. Por outro lado, a revolução francesa teve um horizonte de mudanças muito mais abrangente. Note-se que ocorreu em uma grande metrópole da época e não em áreas coloniais. Desta forma, não se dirigia tão somente às questões comerciais exploratórias, mas exigia a derrubada do próprio regime absolutista. Vinha propondo, também, o fim dos privilégios da aristocracia, do rei e do poder divino deste.

Observe que foi produto da revolução francesa a concepção e edição de um dos documentos mais importantes da humanidade, que foi a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.  Nele, se estabelecia a igualdade de todos os homens perante a lei. Eram previstos os direitos à liberdade, à segurança e à resistência contra qualquer tipo de opressão. Indicava a soberania nacional e a supremacia do império da lei.. Ainda consagrava liberdades como as de expressão, de ideias e de religião.. Um dos tópicos mais importantes referia-se à separação dos poderes. Sob este ideário liberal foram derrubados os regimes monárquicos absolutistas e implantado o sistema liberal e democrático. Teve importância sine qua non para a independência das colônias latino-americanas e o término do regime de exploração de trabalho escravo.

Saliente-se que toda revolução para ser deflagrada necessita de ampla adesão popular. Ou seja, não há revolução sem a presença do povo junto à vanguarda revolucionária. O povo, que constitui a base da pirâmide social, adere à luta revolucionária por acreditar que haverá, como resultado, a melhora nas suas condições gerais de vida.

Ocorre que a partir do século XX uma nova rodada de revoluções acontecem em vários locais do globo. Porém, agora as revoluções não se encontram mais fundadas nos preceitos liberais, mas nas teses socialistas. O povo novamente adere aos movimentos revolucionários por entender que o pacto firmado entre burguesia e povo, pelas revoluções liberais, não foi devidamente cumprido. O liberalismo fundou o proletariado como nova classe social que permaneceu sob uma lógica de exploração econômica. A igualdade jurídica não foi percebida na prática. A busca de controle e expansão de mercados através do imperialismo na África e Ásia acarretou guerras que levaram enormes contingentes populacionais a condições extremas. Os benefícios elencados na declaração dos direitos humanos, prometido aos trabalhadores do campo e da cidade, eram mera ilusão na percepção popular.

Surgem vários movimentos de contestação: comunistas, socialistas, sindicalistas, anarquistas, dentre outras vertentes reformistas. Neste momento, vários autores ligados ao socialismo utópico escrevem trabalhos criticando o capitalismo, dentre eles temos Fourier, Saint-Simon e Proudhon. Na Inglaterra, dois pensadores realizaram uma crítica sistemática ao modelo capitalista, são eles Karl Marx e Friedrich Engels. Marx e Engels inauguram a fase do socialismo científico, que vê na luta de classes o motor capaz de mover a história, realizando uma inversão materialista em relação aos conceitos de Hegel. Entendem que o proletariado será o agente de promoção da revolução social. Suas ideias são fundamentais na raiz das revoluções ocorridas durante o século XX.  E continuam explicando várias questões  na atualidade.

Em 1917 eclode a revolução russa, que levará à formação da União Soviética. Este movimento inspirou diversas ocorrências revolucionárias pela África, Ásia, Europa e na América. Com destaque temos em 1949 a revolução chinesa e em 1959 a revolução cubana, que configuraram novos modelos de organização revolucionária. Paralelamente, no mundo muçulmano também se deu suas revoluções, onde a inspiração socialista também teve seu grau de importância na mobilização popular, embora o viés da religião islâmica tenha sido o fio condutor mais forte. A revolução iraniana, em 1979, derrubou a monarquia dos Xás no Irã. Foi uma das mais importantes revoluções populares da história da humanidade, comparada às revoluções francesa e russa, mas pouco estudada no ocidente.

O choque entre os dois mundos criados pelas revoluções, o capitalista e o socialista, além de produzir guerras e muitas mortes, também afetou a produção historiográfica que se dividiu em interpretações segundo as duas vertentes. 

A historiadora Emília Viotti da Costa ressalta que boa parte dos analistas, inclusive de esquerda, entendem que a era das revoluções terminou por conta da disparidade tecnológica militar entre os governos instituídos e a população. Não haveria mais como lograr êxito com as antigas barricadas em bairros diante de helicópteros e, agora, drones armados com material de grande poder de destruição. Que o futuro das lutas populares se resume aos movimentos sociais.

E você, concorda que terminou a era das revoluções ??? 

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Referências bibliográficas:

  • Hobsbawn, Eric. A Era das Revoluções, 1789 - 1848. 32a ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013.

  • Pomar, Wladimir. A Revolução Chinesa. São Paulo: Editora Unesp, 2003. (Coleção Revoluções do Século XX / direção de Emília Viotti da Costa).

domingo, 7 de maio de 2017

Piada de historiador para o almoço de domingo.





Domingo é dia de reunião familiar em torno da mesa de almoço. Muita conversa jogada fora, mas essencial para conseguir aturar a semana que entra. Sempre tem um parente metido a humorista perturbando todo mundo. Nas famílias de acadêmicos o encontro pode ficar extremamente chato com aquele tio advogado falando sobre a CLT, o primo contador sobre questões de impostos, a irmã nutricionista dando pitacos sobre o que deveríamos comer e o parente historiador querendo contextualizar. Eu, por exemplo, tenho uma prima psicóloga cujo marido é arquiteto e ambos têm a mania de querer dar "palestra" durante os encontros de família. Ou seja, eles não conversam normalmente, querem se sentir como estrelas do "café filosófico". E isso é muito chato. Provavelmente, quanto mais simples as pessoas, mais divertidas são as reuniões.

Fazer uma boa piada com temas históricos é tarefa complicada. Uma boa parte acaba não entendendo e surgem sorrisos amarelos.  Além do que é difícil encontrar uma boa piada de historiador. Vou compartilhar a melhor que ouvi até hoje e que faz muito sucesso entre os acadêmicos.



Pergunta: - Você sabe por que o Stalin não atendia o telefone ?
Resposta: - Porque poderia ser um Trotsky !



Simples, rápida e objetiva.
Se você conhece uma boa piada produzida dentro da academia de história compartilhe conosco nos comentários.

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sábado, 6 de maio de 2017

Bolsonaro já governa o Brasil do ponto de vista ideológico.






Sempre entendi que as pretensões do deputado Jair Bolsonaro a respeito de uma possível candidatura presidencial ficavam por conta do viés folclórico e caricato de setores da política nacional. Que por conta de seu discurso extremista e propostas polêmicas jamais teria chances reais num pleito executivo seja municipal, estadual ou federal. E que nenhum partido ou frente partidária se queimaria apoiando abertamente tais propostas. Poderia reunir sobre si o eleitorado conservador mais extremado, mas sem qualquer chance de vitória. E que o próprio deputado e seu partido sabiam disso. Ocorre que os partidos usam da estratégia de colocar uma de suas figuras políticas na corrida a um pleito maior, mesmo sem chances, não para ganhar naquela eleição mas visando a exposição da imagem do candidato para assegurar vitórias futuras ao legislativo. Ou seja, não venceria uma eleição a prefeito de grande cidade, governador de estado ou para presidente, mas garantiria sua eternização na Câmara dos Deputados.

Hoje, no entanto, a conjuntura política brasileira vai tomando rumos inesperados. O PMDB que sempre se notabilizou como uma sigla de centro, por isso sempre foi um apêndice de todos os governos desde a redemocratização, assumiu o poder federal graças ao impeachment (ou golpe parlamentar como muitos interpretam) e sua administração ganhou cores de extrema direita muito semelhantes ao preconizado pelo político em questão. 

O estado policial desejado pelo deputado vai tomando corpo nas ruas através de uma atuação violenta dos organismos de segurança contra cidadãos que protestam democraticamente. No plano internacional, o governo adota discurso de realinhamento subalterno aos preceitos dos grandes centros de poder capitalista e desvaloriza a ação conjunta com parceiros regionais e africanos. Sobre as questões do campo o deputado já declarou sobre ser contrário à lei do desarmamento para que fazendeiros possam receber "adequadamente" movimentos campesinos. Curiosamente, mesmo com a lei em vigor já vemos o aumento da violência no campo.

Algo muito sintomático aconteceu na última semana, pouco tempo depois de palestra do ilustre deputado num clube israelita do rio de Janeiro. Na palestra, o presidenciável falou sobre suas ideias de acabar com políticas de demarcação de terras indígenas e quilombolas. Poucas semanas depois há a exoneração do presidente da FUNAI e instauração de CPI sobre o órgão de proteção ao índio, onde se discursa contra lideranças indígenas, antropólogos e pela desestruturação do órgão.

Não temos ideia se o governo está se pautando pelo ideário do deputado ou se o político vem pressentido os movimentos do governo e se adiantando, em suas aparições, no sentido de se colocar na vanguarda das "reformas". 

O que fica evidente é que a figura do Bolsonaro é a que melhor sintetiza os rumos que a administração federal tomou após o impeachment. E, desta forma, já não sabemos se o deputado ficará apenas no teto de 10% do eleitorado que as pesquisas apontam ou se acabará recebendo um amplo apoio de partidos e tendo chances reais na disputa presidencial

A direita vem tentando ensaios com candidatos que, teoricamente, apresentariam menor rejeição, como o prefeito de São Paulo, algum empresário midiático ou apresentador famoso de televisão. Por ora, o polêmico deputado aparece como solução para a manutenção das políticas atuais.

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sexta-feira, 5 de maio de 2017

A cerveja que faltava na mesa do brasileiro. Fora Temer é puro malte !





Uma cervejaria artesanal no assentamento Maria Lara do MST, na cidade de Centenário do Sul no Paraná, está fazendo sucesso com a sua cerveja Fora Temer !

Não podemos mais dizer que o governo é um total fracasso econômico. Ao menos, a cerveja está vendendo acima das expectativas.

Agora podemos brindar o fora temer no churrasco de domingo, no jantar de sábado ou na pizza de sexta feira. O bom mesmo é poder ter fora temer todos os dias.

Mas deve-se beber com moderação. A cerveja é boa. Mas a foto do rótulo pode causar danos irreversíveis !

A cerveja fora temer pode ser encontrada em São Paulo no "armazém do campo", ponto de venda de produtos do MST. O endereço do armazém no facebook: Armazém do Campo 

Compartilhe esta mensagem para ajudar os pequenos produtores.
 
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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Dizem qualquer coisa para defender a reforma da previdência. Até que vai chover na roça !!!


A Comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a reforma da previdência acabou de aprovar o texto do projeto. E está valendo dizer qualquer coisa para fundamentar o apoio a este projeto que dificultará o acesso à aposentação de milhares de trabalhadores.

Uma defesa técnica substancial a favor do projeto dificilmente se vê. Muitos enrolaram e falaram qualquer coisa sem muito sentido para justificar o voto a favor da mudança das regras previdenciárias. Teve até quem dissesse que o trabalhador rural não precisava se preocupar porque ainda irá chover muito na horta e que virá tempo de prosperidade.

É a lógica de que o povo não acompanha e se acompanha não entende.
Por isso, lança-se mão da velha fórmula de que o povo deve esperar primeiro o bolo crescer para depois ganhar seu pedaço.

Mas o povo está ficando mais esperto!
Será que esses deputados conseguirão se eleger em 2918?

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A história do Brasil ganhará seu período feudal com as reformas propostas pela base do governo Temer para o campo.






Passou na câmara a proposta da reforma trabalhista para o trabalhador urbano que praticamente revoga a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ao prever que os acordos entre patrão e empregado valerão acima do legislado. Agora, iniciarão os debates na Câmara sobre a reforma para os trabalhadores rurais que afastará as regras da CLT para regular as relações de trabalho no campo.

Trata-se do projeto de lei 6442/2016 de autoria do deputado ruralista Nilson Leitão (PSDB-MT). Dentre vários absurdos contra os trabalhadores, esse projeto prevê que o trabalhador rural poderá receber remuneração de qualquer espécie,. Inclusive, poderá trabalhar unicamente em troca de moradia e comida. 

O site da revista Carta Capital traz uma síntese das propostas:


"O principal ponto é a possibilidade do trabalhador rural receber remuneração de qualquer espécie, o que significa que o empregador rural poderá pagar seus empregados com habitação ou comida, e não com salário. A remuneração também poderá ser feita com parte da produção e concessão de terras. 


A perda de direitos não para aí, entretanto. O texto prevê ainda jornadas de até 12 horas e o fim do descanso semanal, uma vez que passa a ser permitido o trabalho contínuo por até 18 dias. Fica permitida, ainda, a venda integral das férias para os trabalhadores que residirem no local de trabalho. Fica permitido também o trabalho em domingos e feriados sem a apresentação de laudos de necessidade. 


O texto atinge também a segurança e a saúde dos trabalhadores rurais, uma vez que revoga a Norma Regulamentadora 31, que garante que os empregadores forneçam aos empregados condições salubres para o exercício de suas atividades, de equipamentos de segurança que garantam a integridade física dos trabalhadores ao cumprimento de normas sanitárias para o uso de defensivos agrícolas e fertilizantes."

Desta forma, ao ser perguntado em sala de aula sobre a polêmica reforma, um professor explicou ao aluno que uma das possibilidades era o fazendeiro contratar o trabalhador e pegar a ele somente com um pequeno casebre para morar na fazenda e um pedaço de terra pouco produtiva para ele plantar e tirar dali o seu sustento.  Mas como "não existe nada de graça" metade da produção particular do trabalhador será entregue ao patrão. O patrão também poderá construir algumas benfeitorias na propriedade para serem usadas pelos empregados em sua colheita particular, mas estes deverão pagar pedágio dando parte da produção para poder utilizá-los. E, claro, a maior parte dos dias o camponês terá que trabalhar nas terras no dono da fazenda, sobrando apenas o dia de folga para trabalhar a sua parte da plantação.

Ao ouvir essa descrição, um aluno que chegou atrasado e não sabia do que se tratava levantou o dedo e disse alto: "Ora professor, essa matéria o senhor já deu no semestre passado! Está falando do instituto do colonatus no sistema feudal" !!!

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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Temer irá abrir "escolas de maridos" para alavancar a economia do país. Brilhante !





O presidente Temer, cuja legitimidade no cargo é muito questionada por vários setores, vem mostrando uma altíssima capacidade em cometer gafes e inadequações em seus discursos e entrevistas. Ou seja, tem falado bobagens.

Ficou mundialmente famoso o discurso de sua excelência no dia internacional da mulher quando falou da importância da mulher para a economia ao localizá-la, dentro do contexto social e econômico, no interior do supermercado fazendo compras. Segundo a autoridade máxima do país, a mulher quem detecta a inflação por ser da alçada dela a atividade de pegar mantimentos nas prateleiras do grande comércio.

Agora, o presidente se utiliza novamente de uma comparação com os arranjos familiares tradicionais para dizer que nossa economia necessita de "maridos" para conter os gastos. Quem sabe o presidente irá indicar o ator Luigi Baricelli, que apresenta o programa "escola para maridos" como novo ministro da economia.

Durante muito tempo, uma parcela de pessoas criticava o ex presidente Lula por realizar analogias com o futebol quando tentava explicar as questões nacionais. Porém, as atuais analogias com uma estereotipada relação homem e mulher no instituto familiar nos deixam muito saudosos daquele tempo em que se explicava a economia através de um suposto jogo do corínthians.

Michel Temer parece partir de um local de fala que pouco conhece a realidade da maioria das famílias brasileiras. Quando coloca a mulher como uma espécie de "dondoca" que faz compras e gasta muito no cartão, que necessita da presença do marido para fiscalizar a conta, refere-se tão somente a um pequeno grupo social da elite financeira brasileira. A realidade é bem diferente. As mulheres têm sido as verdadeiras gestoras da economia na maior parte das famílias. Os casamentos acabam e a mulher fica com a responsabilidade sobre a casa e a criação dos filhos. Em muitos casos elas que precisam vigiar para a economia doméstica não ser tragada pelos vícios com bebidas de seus companheiros. Por isso, as verbas do programa bolsa família ficavam sob a gestão das mães.

Há quem acredite que essas "gafes" são intencionais, para amealhar a simpatia de direita ultraconservadora que vem mostrando força no cenário nacional ultimamente.

Contudo, é muito complicado quando temos membros dos altos escalões burocráticos, tanto no legislativo, executivo e judiciário, totalmente "divorciados" da realidade social e econômica da maioria do povo.

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